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2018: Programação - CULTURGEST

Exposição
Michael Snow l O Som da Neve l The Sound of Snow

Michael Snow (Toronto, Canadá, 1928) é um dos mais fascinantes artistas da contemporaneidade. Com um percurso que atravessa a prática das artes visuais e, nestas, a utilização dos mais variados suportes – desde a pintura, escultura, desenho, fotografia, filme e vídeo –, a sua prática estende-se à música improvisada, com inúmeros gravações disponíveis, à instalação sonora e ao cinema.
A exposição O Som da Neve apresenta o trabalho fílmico, videográfico e sonoro de Michael Snow. Autor de obras que se revelaram de importância decisiva no desenvolvimento do filme experimental, o trabalho pioneiro de Michael Snow nunca foi objeto de uma consequente apresentação em Portugal, embora algumas peças tenham sido mostradas no Centro Cultural de Belém, na Culturgest e na Cinemateca Portuguesa. Sobretudo, nunca foi apresentada a importantíssima conexão entre som e imagem que Snow tem vindo a desenvolver, por vezes expandindo-se para a música, numa relação que combina enorme sofisticação, humor subtil e grande liberdade criativa.
Recuando até às suas experiências com filme 16mm (como o histórico Wavelength, de 1967) e acompanhando o desenvolvimento das explorações fílmicas e sonoras até obras recentes, a exposição propõe uma experiência imersiva no trabalho de Michael Snow, sendo ainda apresentados em auditório um conjunto de filmes de longa duração.
Por ocasião da realização deste projeto expositivo, haverá a rara oportunidade de assistir a um concerto de piano solo por Michael Snow.
Curadoria: Delfim Sardo

DE 24 FEVEREIRO A 22 ABRIL
Inauguração:  Sexta-feira, 23 de Fevereiro, 22h
Galeria 1
Entrada gratuita aos domingos 

Culturgest, Galeria 1
Rua do Arco do Cego, Lisboa
Inauguração: Sexta-feira, 28 de outubro, 22h
Entrada gratuita aos Domingos, restantes dias dois euros.

Horário de funcionamento
De Terça a Sexta-feira das 11h às 18h (última admissão às 17h30). 
Sábados, Domingos e feriados, das 11h às 19h (última admissão às 18h30).
Encerram à segunda-feira.


Transportes
Autocarros: 727, 735, 736, 738, 744, 749, 754, 756, 767, 783
Comboio: Entrecampos, Roma
Metro: Campo Pequeno

22 de Setembro, 2014: Cinema - TÚNEL DE BABEL

Culturgest, Rua Arco do Cego, Piso 1, Lisboa



Duração: 20 min.

Levantamento de senha de acesso 30 minutos antes do início da sessão, no limite dos lugares disponíveis. Máximo: 2 senhas por pessoa.
Aguarda classificação etária. Falado em português, inglês e francês
"But at the end of the day, the story is about friendship and memory.


Túnel de Babel, de Frederico Andrade 
Cinema (Antestreia) | 22 de Setembro | 18h30 | Pequeno Auditório | Entrada gratuita


A curta-metragem é sobre três rapazes que se conhecem num túnel, e muito embora não falem outras línguas conseguem compreender-se. Existe uma comunicação inerente a um mundo globalizado onde o contacto real se vai reduzindo cada vez mais, devido a "bengalas" de contacto como são o Facebook, o Skype, os telemóveis ou qualquer plataforma onde a companhia autêntica não esteja a acontecer. Viemos aqui parar e abraçamos tais coisas que nos aproximam se estamos perto e nos afastam se estamos longe de quem nos importa.

Direção, produção e texto Frederico Andrade Direção de fotografia e montagem Hugo Botelho Rodrigues Direção de som Bernardo Theriaga Direção de arte Frederico Andrade Assistente de produção Joana Veloso Figurinos Mariana Monteiro e Joana Veloso Música Trio Babel com Zé Anahory, Jorge Bettencourt e Bruno Viera Design gráfico Francisco Ferreira Com João Pedro Mamede, Marco Mendonça e Frederico Andrade"

Transportes 
Comboio: Entrecampos, Roma
Metro: Campo Pequeno
Autocarros: 727, 735, 736, 738, 744, 749, 754, 756, 767, 783

25 a 29 de Junho, 2014: MAIS PRA MENOS QUE PRA MAIS


MAIS PRA MENOS QUE PRA MAIS

VERA MANTERO & CONVIDADOS
HORÁRIOS E LOCAIS A ANUNCIAR
TEATRO
25 A 29 JUNHO 2014

"Mais Pra Menos Que Pra Mais é uma instalação-performance, tal como os dois projetos mais recentes de Vera Mantero: Oferecem-se Sombras, em setembro de 2013, em Montemor o-Novo, e Mais Pra Menos Que Pra Mais — trabalho em progresso, no 20.º aniversário da Culturgest, em outubro do mesmo ano. Nestes projetos, Vera Mantero está interessada em criar eventos em que o público possa atravessar o ato performático, visitá-lo, ativá-lo, sentir-se dentro dele. A continuidade surge também ao nível temático: abordar formas concretas de “dar a volta” a algumas atuais formas de vida, tanto em termos ambientais como em termos vivenciais/relacionais/criativos/humanos. Mais Pra Menos Que Pra Mais procurará também por isso criar contaminações entre as suas esferas de atuação, tanto ao nível dos conteúdos (soberania alimentar, ecologia das (con)vivências, energias renováveis, experiências do corpo/dos sentidos/dos afetos, etc.), como ao nível dos formatos de apresentação (que podem ir dos mais performativos aos mais formativos).
O primeiro dos projetos anteriores mencionados aconteceu num espaço exterior, ao ar livre, num terreno de montado. O segundo num espaço interior, na plateia de um teatro. Mais Pra Menos Que Pra Mais acontecerá tanto em exteriores como em interiores e, desta vez, entre dois espaços da cidade, Teatro Maria Matos e Culturgest, criando um percurso de eventos entre ambos."

Quarta 25 junho
Circuito Curto – Curto Circuito 
Conferências/debates
10h-12h30/14h-17h30, Teatro Maria Matos (p.8)
Um Pra Um – Passeios Ruminantes Performance
18h, Local de saída: Teatro Maria Matos
19h30, Local de saída: Culturgest (p.11)
A atual produção alimentar e a agroecologia 
Conversa/debate
19h, Jardim do Palácio Galveias (p.11)
Aquática Ação Performance
21h30, Horta do Lago (p.12)


Quinta 26 junho
Circuito Curto – Curto Circuito 
Conferências-debates
10h-12h30/14h-17h30, Teatro Maria Matos (p.10)
Um Pra Um – Passeios Ruminantes Performance
18h, Local de saída: Teatro Maria Matos
19h30, Local de saída: Culturgest (p.11)
A agricultura urbana na perspetiva 
da Permacultura Conversa-debate
19h, Jardim do Palácio Galveias (p.12)
Aquática Ação Performance 
21h30, Horta do Lago (p.12)


Sexta 27 junho
Um Pra Um – Passeios Ruminantes Performance
18h, Local de saída: Teatro Maria Matos
19h30, Local de saída: Culturgest (p.11)
Mostra de Documentários Vídeo-instalação
18h30-24h, Teatro Maria Matos (p.12)
Marcha do Orgulho Hortícola Performance
18h30, Local de saída: Teatro Maria Matos (p.13)
Notas Sobre Hortas (Nortas) Performance
19h30-20h, Horta Súbita (p.13)
Croças Instalação-performance
20h30-22h30, Foyer do Teatro Maria Matos (p.13)
O Melhor Amigo Concerto
22h30, Teatro Maria Matos (p.14)


Sábado 28 junho
Workshop para Crianças Oficina
10h30-12h30, Horta Mandala (p.14)
Praia de Tempo Dança, performance, oficina 
de desenho, leituras, experimentação sonora, 
visitas guiadas
18h-20h, Jardim do Palácio Galveias, 
Horta do Lago, Horta da Cobertura (p.15)


Domingo 29 junho
Workshop para Crianças Oficina
10h30-12h30, Horta Mandala (p.14)
Um Pra Um – Passeios Ruminantes Performance
16h30, Local de saída: Teatro Maria Matos
18h, Local de saída: Culturgest (p.11)
Teatro de Agricultura Oficina de desenho, 
leitura encenada, instalação áudio, refeição ligeira, 
concerto dançante
18h-22h, Horta Mandala, Jardim do Palácio 
Galveias (ponto de encontro para A Colheita) 
(p.17)


Transportes Teatro Maria Matos
Av. Frei Contreiras 52, Lisboa
Metro: Roma
Comboio: Areeiro
Autocarros: 708, 722, 727, 
735, 744, 755, 756, 767

Transportes Culturgest
Rua do Arco do Cego, Lisboa
Comboio: Entrecampos, Roma
Metro: Campo Pequeno
Autocarros: 727, 735, 736, 738, 744, 749, 754, 756, 767, 783


7 de Dezembro, 2013: Dança - TIAGO GUEDES, UM SOLO

© Xana Bandola (pormenor)
 Sala 1
18h30 e 19h30 · Dur. 30 min.
Entrada gratuita
Levantamento de senha de acesso 30 minutos antes do início da sessão, no limite dos lugares disponíveis. Máximo: 2 senhas por pessoa.
M3

"Conceção, espaço cénico e interpretação Tiago Guedes Coprodução Bomba Suicida/Festival Danças na Cidade Produção Materiais Diversos Agradecimentos Martim Pedroso, Ricardo Matos Cabo, Galeria ZDB e Danças na Cidade Apoio RE.AL, Atelier RE.AL, Lisantigo Estreia Festival Danças na Cidade/Encontros Imediatos, Galeria ZDB, Lisboa, a 23 de junho de 2002
Um Solo foi criado para integrar a programação Encontros Imediatos do Festival Internacional Danças na Cidade, no qual recebeu o prémio de obra preferida do público. Desde a sua estreia, Um Solo foi apresentado mais de 200 vezes em todo o mundo.

Este solo integra o Ciclo Tiago Guedes 2003-2013 | 10 anos de Materiais Diversos, desenhado pela associação do mesmo nome em comemoração da obra coreográfica do seu diretor artístico, incluindo quatro espetáculos a apresentar entre 12 de novembro e 14 de dezembro em diversos espaços culturais de referência.

“A minha casa muitas vezes é o meu único refúgio.
Quantas vezes não corri já para dentro dela com medo da rua, das pessoas, do trânsito, das velhinhas e das crianças e acima de tudo do meu Eu social que muitas vezes domina e aniquila o que realmente sou.
É dentro das quatro paredes que limitam o meu “terreno” que deixo de me sujeitar a todas as adversidades diárias, à falsidade que não controlo e à hipocrisia da dissimulação.
Dentro de minha casa consigo ser o que sou, sem qualquer tipo de conduta moral e social especial, só eu aqui.
Embora tudo possa acontecer e aconteça, a forma espontânea com que isso se passa é reveladora de que nada e ninguém neste espaço interferem comigo.
De que forma o privado é revelador do que realmente sou?
Como é que explico que as coisas que realmente me surpreendem acontecem quando estou sozinho e sem que as predestine? Por que é que prezo tanto esta barreira de territórios que no fundo é uma barreira entre duas personalidades?”
Tiago Guedes, 2002"

Fundação Caixa Geral de Depósitos - Culturgest
Edifício Sede da Caixa Geral de Depósitos
Rua Arco do Cego, Lisboa

Transportes 
Comboio: Entrecampos, Roma
Metro: Campo Pequeno
Autocarros: 727, 735, 736, 738, 744, 749, 754, 756, 767, 783 
 

Porque continuamos a não consumir Cultura? Falta de Educação e dinheiro.

"Os portugueses são dos cidadãos da União Europeia com menores taxas de participação em actividades culturais, segundo o relatório do Eurobarómetro. São números que “não nos ficam bem”, diz o secretário de Estado da Cultura. Falta de investimento, fraca aposta na educação e baixo poder de compra explicam parte destes resultados dizem diversos especialistas e responsáveis.

Vamos menos ao cinema, quase não vamos a bibliotecas públicas nem visitamos museus. A espectáculos de teatro, dança ou ópera vamos muito pouco; só a concertos, de vez em quando. Não temos grande interesse em ler um livro, nem costumamos visitar monumentos. Mas vemos e ouvimos muita televisão e rádio. O retrato não nos deixa ficar bem mas é assim mesmo que, em traços largos, saímos representados no inquérito do Eurobarómetro sobre a participação em actividades culturais na União Europeia. Nele, Portugal surge ao fundo da tabela, ao lado de países como a Roménia ou a Bulgária. O que significa que os portugueses - tal como os romenos ou os búlgaros - quase não se envolveram no último ano em actividades culturais. A crise económica explica parte dos números mas diz-nos quem conhece o meio que o problema está muito para além disso. Falta estimular o ensino cultural nas escolas. Falta os decisores políticos, e a sociedade em geral, olharem para a cultura como um bem essencial. E falta um maior investimento.
Estas são as principais conclusões que se tiram depois de se ouvirem vários nomes reconhecidos da área. Há quem se surpreenda com os números, quem já estivesse à espera destes dados por estarem em linha com a tendência dos últimos anos e quem questione a forma como o inquérito da Comissão Europeia foi realizado. Mas há um adjectivo que todos repetem: “preocupante”.
Sermos tão pouco activos culturalmente é preocupante e é preciso perceber o que está a acontecer com a Cultura em Portugal. O que implica também questionar o estado da Educação e do sistema de ensino, dizem. Afinal, porque é que os portugueses são dos cidadãos da União Europeia com menores taxas de participação em actividades culturais? Porque é que Portugal, por exemplo, é o país onde há maior falta de interesse pela leitura? E porque é que só 6% dos inquiridos, em Portugal, tem uma actividade cultural frequente? A média europeia não é particularmente alta mas as diferenças são grandes, como é o caso da Suécia (43%), da Dinamarca (36%) e dos Países Baixos (34%), onde os cidadãos descrevem a sua taxa de participação como elevada ou muito elevada. Na vizinha Espanha esta taxa é de 19%. Qual é então o problema dos portugueses?
“É uma questão de educação”, diz ao PÚBLICO Paulo Cunha e Silva, programador cultural e novo vereador da Cultura da Câmara do Porto, que acredita que em Portugal “não se cultiva a Cultura”. “'De pequenino se torce o pepino.' Este ditado popular explica esta situação com eficácia, é na infância que se devem começar a criar hábitos culturais e isso não acontece”, defende Cunha e Silva, que deste Eurobarómetro se surpreendeu mais com a fraca adesão às salas de cinema.
Os dados do inquérito revelam que 71% dos cidadãos portugueses não foram uma única vez ao cinema nos últimos 12 meses – uma diferença de quatro pontos percentuais quando comparado com os dados de 2007 (ano do último Eurobarómetro sobre a participação em actividades culturais). Segundo os últimos resultados divulgados pelo Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA), de Janeiro até Outubro registaram-se menos 1,2 milhões de espectadores nas salas de cinema portuguesas, o que representa uma quebra de 10,6% em relação ao mesmo período de 2012. A queda já vem do ano passado mas em 2013 tem vindo a acentuar-se.
“A não frequência das salas de cinema com esta dimensão é preocupante e é um indicador muito grave da crise social que estamos a atravessar, é que ir ao cinema não é só ver filmes de autor”, diz o vereador da Câmara do Porto, que vê no cinema uma das formas mais fáceis e populares de participar na Cultura. “Na sua dimensão de diversão e animação, o cinema poderia até funcionar como um escape para alguma tristeza ou depressão e por isso a não frequência das salas traduz uma expressão muito profunda da crise”, continua Cunha e Silva, considerando que é preciso parar para reflectir de que forma “este momento de patologia social que estamos a atravessar se está a reflectir nos hábitos das pessoas”.

Números que chocam
Para a professora catedrática da Faculdade de Letras do Porto e antiga ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, é uma questão de escolha a que a crise económica e social obriga. “Temos uma crise geral no consumo, que provoca, evidentemente, uma quebra no consumo cultural, até porque é neste que se corta habitualmente em primeiro lugar”, diz Pires de Lima, explicando que “entre gastar dez euros no supermercado ou na livraria, o cidadão comum não escolhe gastar cinco euros num lado e cinco euros noutro, gasta tudo no supermercado”. O mesmo exemplo é dado pelo escritor Vasco Graça Moura, que diz haver uma “opção óbvia” quando se trata de escolher entre “alimentar um filho ou ir a um concerto”. “A crise financeira obriga a prioridades rigorosas”, diz o presidente do Centro Cultural de Belém (CCB), não escondendo, no entanto, que, até ver os resultados do Eurobarómetro, pensava que “estávamos muito melhor”. “De algum modo, estes números chocam-me”, continua Graça Moura, para quem o problema da queda da leitura “está a tornar-se crónico em Portugal”. "Temos de dar mais atenção ao Plano Nacional de Leitura. É importante e pode ser uma ajuda."
Segundo os números do inquérito, apenas 40% dos portugueses leram um livro no ano passado, uma taxa significativamente mais baixa do que a média europeia, que é de 68%. Se olharmos para os países nórdicos, a diferença então é esmagadora: na Suécia 90% dos cidadãos leram um livro no ano passado e na Dinamarca a taxa é de 82%. De resto, a actividade cultural mais comum na União Europeia, e em Portugal, é assistir/ouvir programas na televisão/rádio (72% pelo menos uma vez nos últimos 12 meses – em Portugal 61%).
No que respeita à leitura de um livro, o relatório diz que os resultados são “fortemente” influenciados pelo nível de escolaridade, assim como, por exemplo, a idade se reflectiu como um factor determinante naqueles que vêem mais televisão ou ouvem rádio.
“A ideia com que fico depois de ver estes números é a de que ainda há muito a fazer, mas deixa algum optimismo perceber que são os mais velhos que estão mais tempo ligados à televisão e à rádio”, diz Fernando Pinto do Amaral, comissário do Plano Nacional de Leitura, explicando que “os mais novos são mais diversificados e dividem o tempo entre a leitura, o computador, o cinema”. “Ainda há alguma razão para pensar que nos mais novos a leitura ainda existe, enquanto nos mais velhos é mais complicado conseguir mudar hábitos”, explica. “As pessoas estão muitas vezes em casa, com poucos recursos financeiros, e a televisão é um meio muito fácil e directo que entra pela casa dentro”, continua Pinto do Amaral, para quem o cerne da questão é o “nível geral de educação do país e do interesse pela Cultura”. Ou, como diz Vasco Graça Moura: “Em Portugal há uma certa apatia por valores culturais”.
A deputada socialista e antiga ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, responsabiliza o discurso político actual que remete para segundo plano as actividades culturais. “A falta de importância que é dada à Cultura hoje é terrível. O discurso político que passa para os cidadãos é o de que não nos podemos preocupar com a Cultura quando há gente a passar fome, e esta é a mensagem que todos os dias se transmite para a opinião pública”, diz Canavilhas, que não tem dúvidas de que um “cidadão vulgar facilmente reproduz este discurso, quando há uns anos era do senso comum que a Cultura era importante para o quotidiano dos portugueses”.
“É preciso não deixar esmorecer o esforço que foi feito nestas últimas três décadas e que conquistou muitos degraus nos hábitos de consumo cultural, é que o que leva três décadas a ser construído, leva dois ou três anos a ser destruído”, alerta a deputada socialista, que vê na Educação a “chave para a mudança”. “Os indicadores da Cultura estão sempre ligados aos indicadores da Educação. Os países onde os hábitos culturais são mais consistentes são aqueles onde os níveis de Educação são mais elevados”, continua Canavilhas, explicando que investir na Educação é investir na Cultura. No entanto, a antiga ministra da Cultura do Governo de José Sócrates lamenta que além do desinvestimento que a Cultura enfrenta, também a educação esteja “num retrocesso sem precedentes”.
Isabel Pires de Lima dá o exemplo, recorrendo aos resultados deste inquérito, da frequência de bibliotecas públicas. Em Portugal, apenas 15% dos cidadãos visitaram uma biblioteca no último ano, registando-se uma quebra de nove pontos percentuais. Na Europa, a média é de 31%, também se verificando uma queda comparativamente com 2007, neste caso de quatro pontos percentuais. “É gravíssimo que haja uma quebra de nove pontos percentuais, tendo em conta o investimento bárbaro que se fez na rede de bibliotecas públicas”, aponta Pires de Lima, destacando que “no momento em que o país está quase coberto de equipamentos culturais, não seria de esperar uma quebra tão acentuada”. “Quando se investe barbaramente na Educação e não se percebe que investir um bocado mais em Cultura potenciaria imenso esse investimento em Educação, acontecem coisas como esta”, diz.
Para o presidente do Centro Nacional da Cultura, Guilherme d’Oliveira Martins, não há outra forma de conseguir reverter estes números que não seja a aposta no sistema de ensino. “É preciso que os pedagogos compreendam, e muitas vezes não compreendem bem, que a Educação artística está no princípio e não fim”, diz Oliveira Martins, defendendo que “a Cultura não é uma flor de botoeira, é algo que está no centro do desenvolvimento”.
Ao PÚBLICO, o secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, reconhece que “estes números não nos ficam bem” e defende a necessidade de se reforçarem as políticas educativas com as políticas culturais. “Temos de ter em conta estes dados para reforçar a minha convicção de que a dinâmica de colaboração entre a área da Cultura e a área da Educação, desde o pré-escolar até ao ensino secundário, é absolutamente essencial”, diz Barreto Xavier.
No Parlamento, a 7 de Novembro, Barreto Xavier apresentou a Plataforma Educação-Cultura que pretende, precisamente, ser o eixo de desenvolvimento de políticas estruturais para as duas áreas. Será da responsabilidade desta Plataforma, por exemplo, o Plano Nacional de Cinema, que pretende promover a literacia para o cinema nas escolas, impulsionando a criação de novos públicos. Apesar do atraso na sua implementação, não estando ainda a funcionar em pleno, este foi um dos exemplos enumerados ao PÚBLICO pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC), que garantiu que “vai continuar a reforçar, a incentivar e a apoiar programas de carácter cultural e sobretudo a valorizar os conteúdos de temática cultural nos programas, metas e orientações curriculares, manuais escolares e outros recursos didáctico-pedagógicos”. Continuar-se-á também “a sensibilizar todos os agentes educativos para a importância da presença da Cultura, nas suas diversas formas”, acrescenta a resposta do ministério, onde se lê que os baixos índices de participação cultural se devem à “falta de escolarização e literacia das gerações seniores, que não foram incentivadas nem educadas para isso”.
“A evolução do sistema educativo português, dos índices de escolarização e de analfabetismo nos últimos 30 anos permitem compreender os resultados”, lê-se ainda na resposta, por email, do gabinete de comunicação do MEC, que acredita que nos próximos anos, “com base no desenvolvimento dos currículos em vigor no sistema educativo, poderemos vir a testemunhar uma inversão desta tendência”.

Cultura invisível
No entanto, o sociólogo Claudino Ferreira alerta que uma maior introdução das artes ao ensino geral “não exige só que se ponham mais conteúdos”. “É preciso que se pense como é que a relação com as artes nas escolas pode ser motivadora para os estudantes se interessarem”, diz o professor auxiliar da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e investigador do Centro de Estudos Sociais, defendendo também uma maior pró-actividade das estruturas culturais e artísticas. “Não há só muito a fazer por parte das escolas e dos professores, é preciso que também as instituições e os artistas apresentem propostas concretas para contribuir para os estudantes”, continua o sociólogo, admitindo, porém, que os tempos são de dificuldade para as estruturas. “A situação dos últimos anos é dramática e, por isso, quando olho para a frente vejo uma situação muito difícil para a Cultura”, explica Claudino Ferreira, lembrando a constante reformulação de prioridades a que as instituições culturais e os artistas têm vindo a ser obrigados. “E assim vão perdendo alguma capacidade de intervenção pública e desse ponto de vista os próximos anos não serão muito produtivos, não consigo ver uma recuperação do interesse e do voluntarismo para a prática cultural.”
Para Isabel Pires de Lima a dificuldade de que Claudino Ferreira fala existe por “continuarmos presos a modelos de desenvolvimento que privilegiam sobretudo aquilo que é imediatamente rentável e aquilo que decorre do mundo do que é contabilizável”. “É a invisibilidade da Cultura que faz com que seja tão difícil aos políticos, empresários e sociedade civil investirem na área”, diz a catedrática, sem acreditar numa mudança no futuro. O mesmo acontece, aliás, com Gabriela Canavilhas, que antevê uma descida ainda maior destes valores nos próximos anos. “Vamos sofrer nas estatísticas as consequências das políticas que têm estado em curso”, afirma a deputada do PS.
Barreto Xavier não se atreve a antecipar o futuro mas admite que há um problema de perspectiva e modelo. “É uma questão de mudança de mentalidades e a mudança de mentalidades demora eventualmente uma geração”, diz o secretário de Estado ao mesmo tempo que de alguma forma desvaloriza os números deste inquérito por existirem variáveis que não foram consideradas e pelo modo como algumas perguntas foram feitas.
No mesmo sentido, Miguel Lobo Antunes, administrador da Culturgest, em Lisboa, defende que os números deste Eurobarómetro não são fiáveis nem podem apoiar reflexões sérias por se afastarem, "por vezes largamente", de resultados de outras estatísticas feitas em Portugal sobre o mesmo tema. Mas revela que tem sentido na Culturgest uma redução de público. “Para que os portugueses sejam mais cultos, é claro que a educação, os meios de comunicação, as políticas culturais, têm uma importância fundamental mas também é importantíssimo o papel desempenhado pelos teatros, pelos centros culturais, pelos programadores, pelos artistas, pelos pais, pelos mais velhos, pelas pessoas, que podem contagiar outras”, diz Lobo Antunes.
Catarina Vaz Pinto, vereadora da Cultura da Câmara de Lisboa, vê com a preocupação generalizada estes números mas destaca que eles não são desagregados por cidades e/ou regiões, onde acredita que poderão existir diferenças importantes. “Nomeadamente em virtude das características sociodemográficas da população ou do investimento que algumas cidades têm feito, como por exemplo Lisboa, para manter o nível da oferta e participação cultural, da promoção da leitura e da valorização das bibliotecas municipais”, atesta a responsável.
Guilherme d’Oliveira Martins volta a destacar: “Ainda há muito trabalho a fazer”. “Temos de tirar lições da crise porque esta crise diz-nos que se não apostarmos na Educação, na Cultura e na Ciência, teremos naturalmente grandes dificuldades.”
No que ao secretário de Estado da Cultura diz respeito, fica o compromisso de “trabalhar mais e melhor na defesa de um modelo de desenvolvimento que tenha a Cultura no seu centro”."
 
Fonte e imagem: http://www.publico.pt/cultura/noticia/quando-foi-a-ultima-vez-que-foi-ao-cinema-e-ao-teatro-e-ha-quanto-tempo-nao-visita-um-museu-1613057

12 de Outubro, 2013: Concerto - CORO GULBENKIAN E ORQUESTRA METROPOLITANA DE LISBOA

Orquestra Metropolitana de Lisboa e Coro Gulbenkian
Direção musical Cesário Costa Piano Pedro Burmester

"Entrada Gratuita
Levantamento de senha de acesso 2 horas antes do início do concerto, no limite dos lugares disponíveis. Máximo: 2 senhas por pessoa.
Culturgest, Grande Auditório
às 18:00

"Um dos momentos maiores das comemorações do nosso 20.º aniversário é este concerto. Em 11 de outubro de 1993 a Culturgest começou a sua atividade com a realização de um concerto e a abertura de duas exposições. Vinte anos depois replicamos essa fórmula. E se o concerto de ontem foi só para convidados, hoje, com entrada livre, é dirigido a todo o público para quem a Culturgest trabalha desde sempre.
O programa deste concerto, que quisemos festivo e celebratório, misturando o barroco com o contemporâneo, divide-se em duas partes. Na primeira ouve-se a Música para os fogos de artifício reais, que Händel compôs em 1749, em Londres, para ser tocada, como foi, no Green Park, comemorando o fim da Guerra da Sucessão de Áustria. Doze mil pessoas assistiram ao seu ensaio geral. Segue-se o belíssimo Concerto para cravo n.º 1 de Johann Sebastian Bach, interpretado ao piano por Pedro Burmester, um amigo que se junta a nós nesta data especial. A segunda parte é exclusivamente preenchida com uma obra que encomendámos a António Pinho Vargas, compositor e músico com quem a Culturgest tem uma estreita ligação desde há muitos anos.
Trata-se de um Magnificat para coro e orquestra, em que o Coro Gulbenkian, que generosamente quis participar, se junta à Orquestra Metropolitana, sob a direção de Cesário Costa, ele também um maestro que se tem apresentado com frequência no nosso palco maior. Um concerto que esperamos fique na vossa memória".
CORO GULBENKIAN
ORQUESTRA METROPOLITANA DE LISBOA
CESÁRIO COSTA (maestro)


1ª Parte
Georg Friedrich Haendel (1685-1759)
Music for the Royal Fireworks (Música para os fogos de artifício reais),
HMV 351

Johann Sebastian Bach (1685-1750)
Concerto n.º 1, em Ré Maior, BWV 1052, para instrumento de tecla



2.ª Parte
António Pinho Vargas (n. 1951)
Magnificat, para coro e orquestra
(Estreia absoluta. Encomenda da Culturgest)".


Transportes 
Comboio: Entrecampos, Roma
Metro: Campo Pequeno
Autocarros: 727, 735, 736, 738, 744, 749, 754, 756, 767, 783

4 a 6 de Outubro, 2013: Culturgest - 20.º ANIVERSÁRIO


Culturgest, Rua Arco do Cego, Piso 1, Lisboa
 19h - 24h · Entrada gratuita

Levantamento de senhas, no próprio dia, para os espetáculos com lotação indicada (máximo duas senhas por pessoa). Abertura da bilheteira: 14h
M16

"Por todo o ano andámos, discretamente, a comemorar o 20º aniversário, convidando artistas e criadores com quem temos tido uma relação mais constante ao longo desta vida. Chegou a altura de umas comemorações mais formais porque foi em 11 de outubro que a Culturgest teve as suas primeiras atividades públicas. Festejamos em dois momentos diferentes.
Neste primeiro fim de semana oferecemos ao público performances coreográficas, instalações/performance, um trabalho em progresso de Vera Mantero, espetáculos de teatro, esboço preparatório de um espetáculo a apresentar em 2014, curtas peças musicais de compositores portugueses, incluindo a estreia absoluta de uma encomenda a Andreia Pinto-Correia. E no final, música na cafetaria para podermos conviver uns com os outros, público, artistas, organizadores.
Há vários percursos possíveis, não dá para ver tudo no mesmo dia. Não há bilhetes pagos, mas tem de se levantar senhas na bilheteira para os espetáculos com lotação fixa.
São exemplos, bons exemplos, de diversas expressões artísticas que ao longo da nossa vida temos apresentado. Esperamos que venham festejar connosco.

Programa
Das 19h às 20h
Mais Pra Menos Que Pra Mais (trabalho em progresso)
de vera mantero & convidados
Dança Proscénio do Grande Auditório (54 lugares)
corpo fechado > economia capitalista. corpo aberto > economia alternativa? ou é: economia alternativa > corpo aberto? corpo dom. um corpo a descombinar do capital. a descombinar das intenções do haver e das necessidades do dever. um corpo que desacumule. que desconsuma. que desarme. descomunal. inobjectivo. etiqueta: forma de submissão à Lotaria da História. baixar a bolinha, ter vergonha de ser bicho. o mundo não é uma mercadoria. e o tesão também não.

Das 19h às 19h40
Interpretação (trabalho em progresso)
de Jacinto Lucas Pires e Tiago Rodrigues (Mundo Perfeito)
Teatro Pequeno Auditório (145 lugares)
Um homem é intérprete na Europa. Nas instituições europeias, atrás de um vidro, com um microfone à frente. Contra a sua história, os espantosos factos da História. A grande narrativa europeia e um homem real, em simultâneo. A Europa é um corpo sentado? Que palavra nos poderá fazer levantar? Um homem no centro de um tornado; uma espiral de línguas, perguntas aos milhões. Os nacionalismos ou a união, os mercados ou a política, a guerra ou a paz? Comecemos pelo fim, um homem em grande plano: o vazio da morte ou o amor, o amor, o amor que fura os tempos?
Jacinto Lucas Pires escreve para Tiago Rodrigues encenar. Estas apresentações preparam um espetáculo a estrear na Culturgest em 2014.

Das 19h50 às 20h15 (só sábado e domingo)
Solistas da Orchestrutopica
Música Átrio de entrada
Promenade (2007) de Filipe Esteves, para clarinete
The Panic Flirt (1992) de Alexandre Delgado, para flauta solo

Das 20h15 às 21h25
The Oh Fuck Moment O Momento Ai Merda
de Hannah Walker e Chris Thorpe
Teatro Sala 3 (25 lugares)
Fizeste merda. E agora? Às vezes, a merda é tão grande que não há volta a dar. A poeta Hannah Walker e o criador teatral Chris Thorpe (que escreveu Overdrama para a Mala Voadora na Culturgest em 2011) examinam as entranhas poéticas dos erros num pacote de palavras e luzes fluorescentes.
Fazer merda é o momento mais verdadeiro, engraçado e assustador que se pode experimentar. The Oh Fuck Moment é uma conversa à volta de uma mesa para almas corajosas levantarem a mão e confessarem que fizeram merda, ou para as pessoas se rirem de nós porque o fizemos.
Lyn Gardner, no Guardian, deu quatro estrelas a este espetáculo e chamou-lhe “uma celebração brilhante dos nossos erros”.

Das 20h30 às 22h30
Purgatório de Ana Borralho & João Galante
Instalação/Performance Sala 1 · É possível entrar e sair da sala
Segundo várias religiões, Purgatório é a condição e processo de purificação ou castigo temporário em que as almas daqueles que morrem em estado de graça são preparadas para o reino dos céus… Alguns acreditam na possibilidade de purificação das almas dos mortos, através das orações dos vivos… Purgatório, é o espaço intermediário entre o paraíso e o inferno, lugar para onde são enviadas as pessoas que cometeram pecados ‘leves’, menos graves, os ‘arrependidos’… no Purgatório as almas assistem às punições das outras almas que por pecarem mais ‘intensamente’ foram para o inferno…

Das 20h30 às 22h
Le Sacre du Printemps (2013)
de Min Kyoung Lee e João dos Santos Martins
Dança Garagem (96 lugares)
Le Sacre du Printemps (2013) é uma performance coreográfica que explora a sedução e irresistibilidade do ato de dançar – até à morte – a partir da sua exposição pública. Toma como referência Le Sacre du Printemps (1913) de Vaslav Nijinsky, a mítica coreografia ausente, e as suas inúmeras versões realizadas nos cem anos subsequentes. Dialogando com a história da dança e reexaminando a cerimónia contemporânea junto da comunidade do teatro, Le Sacre du Printemps (2013) é uma obra que testa o significado e papel da dança, do sacrifício, do prazer e da morte. Dance we do, and dance we must. Entre a vida e a morte, este é um evento sem ensaio geral.

Das 21h35 às 21h45 (só sábado e domingo)
Solistas da Orchestrutopica
Música Átrio de entrada
Inseto Xilófago e Bicho Pau (2007) de João Godinho, para marimba

Das 22h30 às 22h50
Solistas da Orchestrutopica
Música Sala 2 (100 lugares)
Seekers of the Truth (GI Gurdjieff) (2013) de José Júlio Lopes,
para violoncelo e clarinete baixo
Sobre um quadro de Júlio Pomar: “Fernando Pessoa encontra D. Sebastião num caixão sobre um burro ajaezado à andaluza", (2013) de Andreia Pinto-Correia, para flauta e violoncelo (estreia absoluta, encomenda da Culturgest)

Das 23h às 00h10
The Oh Fuck Moment O Momento Ai Merda
de Hannah Walker e Chris Thorpe
Teatro Sala 3 (25 lugares)

Das 23h às 00h
Away Uniform Equipamento Alternativo
de Tina Satter (Half Straddle)
Teatro Palco do Grande Auditório (144 lugares)
Humor inquietante, inventividade física e a busca da transcendência nos momentos mais ínfimos caracterizam uma peça que constrói um lugar à parte, onde os exercícios desportivos, a recriação ritualística e a fusão continuada de passado, presente e futuro individuais parecem perturbadoramente necessários e de certa forma acolhedores.
A escritora e encenadora Tina Satter serve-se de uma abordagem poética à linguagem e aos sentimentos do desporto como camada textual para criar um mundo nas pradarias americanas onde duas raparigas reconstroem a família e a amizade.
O espetáculo conta com os reconhecidos performers nova-iorquinos Pete Simpson, Jess Barbagallo e Emily Davis, apoiados pela banda-sonora original de Chris Giarmo.

A partir das 22h
Música escolhida por artistas e organizadores.
Na Cafetaria da Culturgest".

Transportes 
Comboio: Entrecampos, Roma
Metro: Campo Pequeno
Autocarros: 727, 735, 736, 738, 744, 749, 754, 756, 767, 783

3 de Julho, 2013: Conferência - ESTÉTICA AMBIENTAL, Mario Perniola e Kristine Hognerud Træland

Estética Ambiental – Obras e experiências extremas com Mario Perniola e Kristine Hognerud Træland
Conferência| 3 de julho | 17h30 | Pequeno Auditório, Culturgest
Entrada gratuita

Moderação Pedro Sargento

"Mario Perniola é um filósofo italiano de renome internacional que sempre se interessou por expressões culturais alternativas e transgressivas. Atento e ativo perante as deformações que vivemos na contemporaneidade propõe, em conjunto com Kristine Hognerud Træland, uma reflexão que alia arte, ecologia e filosofia apresentando, numa primeira parte, trabalhos de “anarquitetura” e, numa segunda fase do encontro, uma experimentação off the grid DIY levada a cabo na Noruega. Sempre com o desejo de uma abertura à conversa participativa com os presentes nesta conferência deixamos alguns pontos para discussão que prometem aproximar esta intervenção da experiência de cada um de nós enquanto cidadãos de um mundo em transição:
As experiências off the grid, práticas de vida sustentável que propõem, por exemplo, uma não dependência do fornecimento de água, luz e gás, estão cada vez mais presentes em diversas comunidades e têm vindo a concretizar formas alternativas Do It Yourself (DIY) que viabilizam o suprimento desses bens essenciais.

Iremos abordar alguns exemplos de “anarquitetura” termo frequentemente incluído na Outsider Art, tendo como referência os trabalhos de artistas como Ferdinand Cheval, Edward James, Richard Greaves ou Asger Jorn. A noção de outsider em arte, muito próxima da de diletante, distingue-se desta pelo cometimento total do artista numa ação da qual depende o sentido da sua vida.

Estética Ambiental – obras e experiências extremas está integrado na programação do Festival Pedras13, um acontecimento anual resultante do trabalho contínuo com pessoas e lugares da cidade de Lisboa. O Pedras13 decorre de 2 a 6 de julho entre o Intendente-Mouraria e o Mercado da Ribeira-Poiais de São Bento. Para aceder à programação (em processo aberto de janeiro a junho) visite o blog pedras pedras13.wordpress.com. O Pedras13 integra a programação do c.e.m.-centro em movimento, estrutura de investigação artística financiada pela Dgartes/C.M.L.

Mario Perniola é Professor de Estética, fundador do centro “Linguagem e Pensamento” na Universidade de Roma-Tor Vergata (Itália) e diretor da revista Agalma. Professor convidado em diversas Universidades e centros de investigação em França, Dinamarca, Japão, Canadá, EUA e Austrália, é autor de diversos livros traduzidos em várias línguas. Obras traduzidas para português: Do sentir (Editorial Presença), Enigmas (Bertrand Editora), A arte e a sua sombra (Assírio & Alvim), Contra a comunicação (Teorema), O sex appeal do inorgânico (Ariadne Editora), Estética do séc. XX (Editorial Estampa), Os situacionistas (Anna Blume), Pensando o Ritual. Sexualidade, Morte, Mundo (Studio Nobel). www.marioperniola.it

Kristine Hognerud Træland, tem o Mestrado em Filosofia, é autora da tese “O papel da sensualidade estética na alienação ecológica ”Universidade de Bergen-Noruega. Vive na floresta.
Pedro Sargento é Professor de Estética, Teorias da Arte e Pensamento Contemporâneo na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. Doutorado em Filosofia pela Universidade de Roma «Tor Vergata». Sob a orientação de Mario Perniola, escreveu uma tese sobre a estética da forma no século XIX, dedicando a sua investigação atual às questões que relacionam a materialidade, o corpo e o inorgânico na cultura contemporânea".

Transportes
Comboio: Entrecampos, Roma
Metro: Campo Pequeno
Autocarros: 727, 736, 738, 744, 749, 754, 756, 783, 798

6, 13, 26, 27 de Novembro, 2012: Ciclo de Conferências - HISTÓRIA E TEORIA DA CRÍTICA

Swan Lake, 4 Acts de Raimund Hoghe © Rosa-Frank.com · Espetáculo apresentado na Culturgest em fevereiro de 2008

"Por motivo de saúde do conferencista Augusto M. Seabra, a sessão
de hoje do ciclo "História e Teoria da Crítica" foi adiada para a próxima
2ª feira, dia 26 de novembro.
O ciclo terminará, como previsto, na 3ª feira, dia 27".

A crítica está em crise? “Crítica” e “crise”, tal como “critério”, têm no entanto uma mesma origem no termo grego “kritês”, isto é, aquele que emite um juízo. Mas fazer um juízo, ou operar a “crítica da faculdade de juízo”, não é apenas emitir uma opinião, mas fundamentá-la na apreciação da arte e das obras, e na sua explanação pública.
A prática crítica foi constitutiva da consolidação do espaço público no século XVIII. A imprensa implantou-se não apenas enquanto veículo noticioso de eventos mas também como modo de dar a conhecer as novidades artísticas e os gostos. O que distingue a crítica não é apenas uma subjetividade de gosto mas sim a explanação de critérios estéticos, tendo em conta a historicidade das obras, os paradigmas interpretativos e as noções de contemporaneidade.
A crítica é um processo de legitimação, tendente também à teorização de obras, autores, tendências e conceitos, que se constitui igualmente num exercício de seleção e poder. E nesse sentido não é menos necessária uma “crítica da crítica”.
A massificação das indústrias culturais e, ainda mais, a expansão de novos suportes, designadamente informáticos, coloca em questão a capacidade de mediação reflexiva, no sentido de uma mera intermediação na lógica e na rapidez dos consumos culturais. Com a permanência de (alguns) críticos como formuladores de cânones, grelhas interpretativas e opções institucionais, ocorre também uma desqualificação do espaço próprio das apreciações críticas, colocando mesmo a interrogação sobre se a crítica ainda existe.
Augusto M. Seabra exerce crítica, nomeadamente de música e cinema, desde 1977, dedicando-se também em particular à sociologia da arte. Foi um dos fundadores do Público, jornal em que é colunista. Foi membro de júris nalguns dos mais destacados festivais internacionais de cinema. É também programador. Foi professor convidado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
6 de novembro
Critérios estéticos, subjetividade e juízos de gosto
13 de novembro
A invenção da modernidade e as mutações dos conceitos de arte
26 de novembro
Crítica, arte(s) e artistas
27 de novembro
A crítica ainda existe?
por Augusto M. Seabra
Sala 2

18h30 · Entrada gratuita
Levantamento de senha de acesso 30 minutos antes do início da sessão, no limite dos lugares disponíveis. Máximo: 2 senhas por pessoa.
Informações
21 790 51 55
culturgest.bilheteira@cgd.pt
Transportes
Metro: Campo Pequeno
Autocarros: 01, 36, 56, 721, 744, 74, 783

25 de Outubro, 2012: Lançamento de CD - VOLUPIA do ENSEMBLE DARCOS

Átrio das galerias de exposições, às 18h30 · Entrada livre
"Nuno Côrte-Real e o Ensemble Darcos apresentam VOLUPIA, o primeiro CD do grupo inteiramente dedicado à obra de câmara do compositor. Com um espetro temporal de nove anos, VOLUPIA inclui peças de caráter muito diverso, como Onze Desejos, para violino e clarinete baixo, ou a obra que dá o título ao CD, VOLUPIA, para dois violoncelos e piano. Música de um espírito livre e eclética na sua essência, manifesta o outro lado da música contemporânea, o lado do sensível e da emoção, o lado que apetece ouvir. O Ensemble Darcos revela-se neste trabalho como um dos mais importantes grupos portugueses da atualidade, cristalizando uma forma de tocar precisa mas carregada de uma enorme força e paixão. Sem dúvida um CD que não nos pode deixar indiferentes!
 
Programa
N. Côrte-Real (1971-)
Coimbra op. 18, para violoncelo e piano
I. Recitativo e prelúdio
II. Coimbra lírica
III. Coimbra eufórica
IV. Coimbra nostálgica
V. Despedida
 
N. Côrte-Real (1971-)
Glosa Goldberg op. 38, para violino, viola e violoncelo
 
J. Brahms (1833-1897)
Quarteto para piano e cordas n.º2, em lá maior, op. 26
I. Allegro non troppo
Nuno Côrte-Real comentará o CD e as peças interpretadas".
Transportes
Metro: Campo Pequeno
Autocarros: 01, 36, 56, 744, 783