Constituição da República Portuguesa, "Artigo 78.º - Fruição e criação cultural.
1. Todos têm direito à fruição e criação cultural, bem como o dever de preservar, defender e valorizar o património cultural."
Hospital Miguel Bombarda Pavilhão de Segurança, Enfermaria-Museu. Rua Dr. Almeida Amaral 1, Lisboa (mapa) Visitas: Quarta-feira entre a 11h30 e as 13h; Sábado, entre as 14h e as 18h. Entrada livre
Alexandra Lucas Coelho recebeu nesta segunda-feira o prémio APE pelo romanceE a Noite Roda. Este é o texto do discurso que fez, no qual critica o actual poder político.
Quero agradecer em primeiro lugar à equipa da Tinta da China, minha casa, Bárbara Bulhosa, Inês Hugon, Vera Tavares, Madalena Alfaia, Rute Dias, Pedro Serpa.
Agradeço em seguida ao júri que atribuiu este prémio: Manuel Gusmão, Luís Mourão, Clara Rocha, Ana Marques Gastão e Isabel Cristina Rodrigues, a quem coube hoje ser porta-voz, com uma apresentação cuidada e surpreendente de E a Noite Roda. Não conheço pessoalmente a maioria dos jurados. Ter-me-ei cruzado um par de vezes com Ana Marques Gastão e entrevistei há uns 13 anos Manuel Gusmão. Sendo uma honra a decisão deste júri, a presença nele de um poeta que tanto admiro, e trago comigo, é uma alegria. Isto, para usar a palavra que mais associo a Manuel Gusmão, num daqueles versos que se tornam língua geral, lugar-comum a todos, contra todas as evidências em contrário.
Não chega dizer que foi uma surpresa a atribuição do prémio. Começou por ser uma grande surpresa a nomeação, que aconteceu pouco depois de outra: para o prémio do PEN. E a Noite Roda não tinha sido dos meus livros mais bem recebidos pela crítica, nem mais vendidos. Passara um ano e meio sobre a publicação, já nem se encontrava nas livrarias. Eu estava ocupada com a saída de um novo livro, Vai Brasil, e a organizar-me para retomar a escrita de um novo romance, situado no Rio de Janeiro. Se a nomeação para o PEN já me espantara, a do APE pareceu-me quase inverosímil. Para mais, o naipe de finalistas era não menos que excelente: um dos grandes prosadores da língua portuguesa, Mário de Carvalho; dois autores próximos da minha geração que sigo com respeito, Patrícia Portela e Afonso Cruz; e um poeta, dramaturgo e novelista que é dos meus mais queridos amigos, Jaime Rocha. Fico muito contente por ele estar aqui hoje. Fosse eu a decidir, o prémio seria dele, e da sua novela A Rapariga sem Carne. Foi isso que senti ao saber da nomeação.
Semanas depois, estava eu sentada no carro da minha editora, Bárbara Bulhosa, quando me ligam da APE a anunciar a decisão do júri. Pânico, seguido de alerta: está a brincar comigo, certo?, perguntei ao cavalheiro do outro lado da linha, que se apresentara como José Correia Tavares, presidente do júri sem direito a voto. Ele assegurava que não e dava detalhes, que o júri se reunira três vezes, que a decisão fora por unanimidade, e por aí fora até que eu já não estava a ouvir, porque só pensava que aquilo não podia ser a sério. E nos momentos em que acreditava que era, voltava o pânico: aquilo não me podia estar a acontecer. Como assim o prémio APE para este romance: um primeiro romance e esteromance?
Antes que eu começasse a explicar ao interlocutor que estava enganado, a Bárbara decidiu intervir, dando-me ordens em surdina: que aceitasse, que agradecesse, muito obrigada. E subimos para um consultório, que era ao que íamos, acabando com a paz da recepcionista, porta-dentro, porta-fora, mal começaram os telefonemas.
Recentemente, a Tinta da China fez uma edição de bolso de E a Noite Roda, de que gosto mais do que a primeira, como objecto. Gosto do tamanho, dos cantos redondos, da capa mole. É maneira, como dizem os brasileiros. Mas nem a folheei, custa-me olhar para o texto. Na Tinta da China, a Inês Hugon e a Madalena Alfaia, que com uma paciência oriental asseguram as revisões, sabem como por mim ficava a cortar provas até à décima, porque mal entrego o livro já não o posso ver, tudo me parece mal, as bengalas, os tiques, o excesso.
Sendo a minha primeira experiência de romance, sinto essa distância de hoje em relação ao texto de E a Noite Roda mais do que em relação a qualquer outro livro meu, talvez porque nos outros a linguagem esteja mais estabilizada num território com regras.
O que me interessa no romance não é o género, mas a ausência de género. Não é poesia e pode ser poesia, não é reportagem e pode ser reportagem, não é viagem e pode ser viagem, não é teatro, cinema, música, arquitectura, agricultura, cosmogonia, correspondência, folhetim, banda desenhada, arquivo, e pode ser tudo isso. Um romance é a liberdade em extensão. Um território de experimentação com um fôlego considerável, que ninguém conseguiu ainda circunscrever além disto: prosa, criativa, de extensão longa, escrita para ser lida.
Uso a palavra romance, não uso a palavra ficção. Tenho dito e repetido — porque a um jornalista que escreva romances pergunta-se isso continuamente — que o que distingue o jornalismo e a literatura não é um ser real e a outra ficção, mas sim um ser um campo sujeito a regras estabelecidas e a outra, idealmente, inventar as suas próprias regras.
Por isso, interessa-me pouco o debate sobre o que neste romance ainda é jornalismo ou já é romance, ainda é real ou já é ficção, como se houvesse uma espécie de grau de pureza, que é sempre o princípio de um pensamento autoritário. Ninguém ainda se tornou dono do que é, ou não chega a ser, um romance, e é por isso que continua a ser interessante fazer romances, e que cada um faça o seu. Na verdade, neste campo, quanto à criação, não há outro lema em que me reconheça tanto: que cada um faça a sua coisa. Faça o que tem a fazer, contra tudo, contra todos: crime e castigo, doença e cura, transmigração da alma ou biografia derradeira.
O que me levou a fazer este romance? O que o distinguia dos livros anteriores? A possibilidade de um território sem regras para o qual eu transportasse vários materiais biográficos: amorosos, políticos, sociais, profissionais. O texto agora entregue a si mesmo, inventando as suas regras, é que estabeleceria a transição para o romance. Um não-género fazendo uso de vários géneros, incluindo a reportagem.
Jerusalém era uma coisa minha, Gaza era uma coisa minha, a experiência de cobrir o conflito israelo-palestiniano era uma coisa minha, eu queria transportá-los para o campo literário porque me interessa transportar para o campo literário tudo o que a experiência tenha tornado coisa minha. Dito de outra forma, aquilo que é a identidade em movimento.
Não é diferente do que fará um médico que escreva romances (ou um arquitecto, um historiador de arte, um diplomata, um advogado, um professor, um burocrata), sempre com menos explicações do que as que são cobradas a um jornalista. Nunca começarei a entender porque se estranha que alguém cujo trabalho é escrever decida escrever outras coisas.
E a Noite Roda não é sequer o melhor romance que eu podia ter escrito entre 2010 e 2011, os meus últimos meses em Portugal e o meu primeiro ano no Brasil. Não foi, certamente, o que muita gente achava que eu devia ter feito. É apenas o que eu precisava de fazer naquele momento para sair do ponto em que estava. O importante não será fazer o melhor que sabemos, mas o que precisamos de fazer, mesmo não sabendo, para sair do nosso limite. Aquilo que nos desloca se estamos fixos, que nos fixa se estamos deslocados.
Recentemente, numa entrevista, perguntaram-me quem gostaria eu que escrevesse a minha biografia. É uma daquelas perguntas a que só podemos responder desabridamente. Respondi que esperava que as personagens tratassem do assunto e não sobrasse nada. Penso nisso como uma espécie de teia de Penélope em que o autor se vai construindo nos livros, ao mesmo tempo que desaparece na vida.
Tudo o que faço é biografia, idealmente cada vez mais real, independentemente de as personagens tomarem as minhas circunstâncias, como acontece em E a Noite Roda, ou não tomarem de todo, como acontece no romance que estou a escrever. Ninguém pergunta a um poeta se o que está no poema é real ou ficção. Aquilo é o que é, é dentro da cabeça dele.
O que cada um vive é seu património inalienável, seu único real património, e é seu direito fazer disso o que quiser, na intersecção com os outros e o mundo, tendo como único limite, para mim, não devassar o património de um outro, de forma reconhecível publicamente.
De resto, o criador não deve conhecer limites e quanto mais escuro, mais difícil e mais indevassado melhor. Aquilo que não se pode escrever é o que há a escrever, é o que falta. Não estamos cá para nos repetirmos nem para nos pouparmos. Pouparmo-nos para quê? Não acredito na vida além da vida.
Sempre quis escrever, desde que me lembro. Os livros tinham todas as vidas. Passei a adolescência a ler romances. Lia os portugueses, os franceses, os ingleses, os russos, os alemães, mais tarde os americanos, os japoneses, os levantinos. O mundo não acabava, eu lia e queria sair pelo mundo. O jornalismo era a possibilidade disso, uma bela possibilidade quando eu tinha 17 anos e as rádios piratas explodiam, ainda nem havia TSF, nem PÚBLICO, nem telemóveis, nem computadores pessoais. A minha geração viveu essa promessa de aventura no trabalho, que hoje parece arqueológica.
Só fui ler poesia compulsivamente depois dos 20. E a poesia, como a rádio, mudou, moldou a minha relação com a escrita. Questão de som, de ritmo, mas também de montagem, de elipse. Não que escrever poemas fosse a minha coisa, tentei, não era. Ler poemas, sim, seria parte do que eu tinha para escrever.
Sempre achei que seria uma questão de tempo começar a fazer livros, e acabei por publicar o primeiro aos 39 anos. Como seria uma questão de tempo o romance chegar. Não há abandono de uma coisa por outra, não deixei de ter na cabeça livros de viagem, reportagem ou crónica, entre os vários romances que quero fazer. É o jardim dos caminhos que se bifurcam, para citar um daqueles autores que sempre admirei à distância, porque Borges é de outra galáxia, de um mundo, digamos, não-carnal. Sou mais do lado Moby Dick, até ao trespassar da última carne, a do caçador. Moby Dick agora sem género, ou transgénero. Moby Dick-Orlando, homem e mulher, humano e animal, deus e demónio. Um Moby Dick antropofágico, depois de ter morado no Brasil.
Não me interessa a fuga, interessa-me o confronto, o embate, o arpão no corpo que sempre fugirá. Chamemos-lhe Moby Dick – ou amor – ou real. A vida verdadeira que é estar aqui a desejar além. A pulsão da guerra, qualquer espécie de guerra, é a sobrevida: vida conquistada à morte.
Nenhuma arte é panfleto, se é panfleto, não era arte. Ao mesmo tempo, toda a arte é política, no sentido em que não existe sem um outro, que pode ser apenas um. O determinante não é que sejam muitos, mas que exista uma relação. Que algo actue entre um e outro.
Este livro é político, como todos os que fiz, como tudo o que faço, pelo simples facto de me pôr em relação com outros. Estar aqui hoje é político, falar em público é político. Onde há um colectivo há política.
O meu feitio seria mais não estar, mas encaro isto como parte de um trabalho que aceitei fazer desde que comecei a publicar, por acreditar que podia, devia, contribuir para os livros chegarem a mais alguém, respeitando eu tanto quem se recusa a fazer isso como quem o faz, por razões que são de cada um e de mais ninguém.
A minha opção é política, digamos. Uma forma de participação, de agir além da militância partidária. A militância não é a minha coisa, ainda bem que é a coisa de pessoas que admiro, entre as quais conto amigos. A minha coisa é escrever, falar dos livros, conseguir fazer disso uma acção.
Estou a voltar de três anos e meio a morar no Brasil. Um dia, a meio dessa estadia brasileira, pediram-me que gravasse um excerto de um conto de Clarice Lispector para o site do Instituto Moreira Salles. Era um conto em que a protagonista era portuguesa, daí o pedido, que a voz coincidisse com o sotaque. Como detestei aquela portuguesa do conto da Clarice. Tudo na boca dela era inho e ito. Era o Portugal dos Pequenitos com a nostalgia das grandezas. Aquele que diz “cá vamos andando com a cabeça entre as orelhas”, mas sofre de ressentimento. O Portugal que durante 40 anos Salazar achou que era seu, pobre mas honesto-limpo-obediente, como agora o Governo no poder quer Portugal, porque acha que Portugal é seu.
Estou a voltar a Portugal 40 anos depois do 25 de Abril, do fim da guerra infame, do ridículo império. Já é mau um governo achar que o país é seu, quanto mais que os países dos outros são seus. Todos os impérios são ridículos na medida em que a ilusão de dominar outro é sempre ridícula, antes de se tornar progressivamente criminosa.
Entre as razões por que quis morar no Brasil houve isso: querer experimentar a herança do colonialismo português depois de ter passado tantos anos a cobrir as heranças do colonialismo dos outros, otomanos, ingleses, franceses, espanhóis ou russos.
E volto para morar no Alentejo, com a alegria de daqui a nada serem os 40 anos da mais bela revolução do meu século XX, e de o Alentejo ter sido uma espécie de terra em transe dessa revolução, impossível como todas.
Este prémio é tradicionalmente entregue pelo Presidente da República, cargo agora ocupado por um político, Cavaco Silva, que há 30 anos representa tudo o que associo mais ao salazarismo do que ao 25 de Abril, a começar por essa vil tristeza dos obedientes que dentro de si recalcam um império perdido.
E fogem ao cara-cara, mantêm-se pela calada. Nada estranho, pois, que este Presidente se faça representar na entrega de um prémio literário. Este mundo não é do seu reino. Estamos no mesmo país, mas o meu país não é o seu país. No país que tenho na cabeça não se anda com a cabeça entre as orelhas, “e cá vamos indo, se deus quiser”.
Não sou crente, portanto acho que depende de nós mais do que irmos indo, sempre acima das nossas possibilidades para o tecto ficar mais alto em vez de mais baixo. Para claustrofobia já nos basta estarmos vivos, sermos seres para a morte, que somos, que somos.
Partimos então do zero, sabendo que chegaremos a zero, e pelo meio tudo é ganho, porque só a perda é certa.
O meu país não é do orgulhosamente só. Não sei o que seja amar a pátria. Sei que amar Portugal é voltar do mundo e descer ao Alentejo, com o prazer de poder estar ali porque se quer. Amar Portugal é estar em Portugal porque se quer. Poder estar em Portugal apesar de o Governo nos mandar embora. Contrariar quem nos manda embora como se fosse senhor da casa.
Eu gostava de dizer ao actual Presidente da República, aqui representado hoje, que este país não é seu, nem do Governo do seu partido. É do arquitecto Álvaro Siza, do cientista Sobrinho Simões, do ensaísta Eugénio Lisboa, de todas as vozes que me foram chegando, ao longo destes anos no Brasil, dando conta do pesadelo que o Governo de Portugal se tornou: Siza dizendo que há a sensação de viver de novo em ditadura, Sobrinho Simões dizendo que este Governo rebentou com tudo o que fora construído na investigação, Eugénio Lisboa, aos 82 anos, falando da “total anestesia das antenas sociais ou simplesmente humanas, que caracterizam aqueles grandes políticos e estadistas que a História não confina a míseras notas de pé de página”.
Este país é dos bolseiros da FCT que viram tudo interrompido; dos milhões de desempregados ou trabalhadores precários; dos novos emigrantes que vi chegarem ao Brasil, a mais bem formada geração de sempre, para darem tudo a outro país; dos muitos leitores que me foram escrevendo nestes três anos e meio de Brasil a perguntar que conselhos podia eu dar ao filho, à filha, ao amigo, que pensavam emigrar.
Eu estava no Brasil, para onde ninguém me tinha mandado, quando um membro do seu Governo disse aquela coisa escandalosa, pois que os professores emigrassem. Ir para o mundo por nossa vontade é tão essencial como não ir para o mundo porque não temos alternativa.
Este país é de todos esses, os que partem porque querem, os que partem porque aqui se sentem a morrer, e levam um país melhor com eles, forte, bonito, inventivo. Conheci-os, estão lá no Rio de Janeiro, a fazerem mais pela imagem de Portugal, mais pela relação Portugal-Brasil do que qualquer discurso oco dos políticos que neste momento nos governam. Contra o cliché do português, o português do inho e do ito, o Portugal do apoucamento. Estão lá, revirando a história do avesso, contra todo o mal que ela deixou, desde a colonização, da escravatura.
Este país é do Changuito, que em 2008 fundou uma livraria de poesia em Lisboa, e depois a levou para o Rio de Janeiro sem qualquer ajuda pública, e acartou 7000 livros, uma tonelada, para um 11.º andar, que era o que dava para pagar de aluguer, e depois os acartou de volta para casa, por tudo ter ficado demasiado caro. Este país é dele, que nunca se sentaria na mesma sala que o actual Presidente da República.
E é de quem faz arte apesar do mercado, de quem luta para que haja cinema, de quem não cruzou os braços quando o Governo no poder estava a acabar com o cinema em Portugal. Eu ouvi realizadores e produtores portugueses numa conferência de imprensa no Festival do Rio de Janeiro contarem aos jornalistas presentes como 2012 ia ser o ano sem cinema em Portugal. Eu fui vendo, à distância, autores, escritores, artistas sem dinheiro para pagarem dívidas à Segurança Social, luz, água, renda de casa. E tanta gente esquecida. E, ainda assim, de cada vez que eu chegava, Lisboa parecia-me pujante, as pessoas juntavam-se, inventavam, aos altos e baixos.
Não devo nada ao Governo português no poder. Mas devo muito aos poetas, aos agricultores, ao Rui Horta, que levou o mundo para Montemor-o-Novo, à Bárbara Bulhosa, que fez a editora em que todos nós, seus autores, queremos estar, em cumplicidade e entrega, num mercado cada vez mais hostil, com margens canibais.
Os actuais governantes podem achar que o trabalho deles não é ouvir isto, mas o trabalho deles não é outro se não ouvir isto. Foi para ouvir isto, o que as pessoas têm a dizer, que foram eleitos, embora não por mim. Cargo público não é prémio, é compromisso.
Portugal talvez não viva 100 anos, talvez o planeta não viva 100 anos, tudo corre para acabar, sabemos. Mas enquanto isso estamos vivos, não somos sobreviventes.
Este romance também é sobre Gaza. Quando me falam no terrorismo palestiniano confundindo tudo, Al-Qaeda e Resistência pela nossa casa, pela terra dos nossos antepassados, pelo direito a estarmos vivos, eu pergunto o que faria se tivesse filhos e vivesse em 40km por seis a dez de largura, e antes de mim os meus antecedentes, e depois mim os meus filhos, sem fim à vista. Partilhei com os meus amigos em Gaza bombardeamentos, faltas de água, de luz, de provisões, os pesadelos das meninas à noite. Depois de eu partir a vida deles continuou. E continua enquanto aqui estamos. Mais um dia roubado à morte."
"Os portugueses são dos cidadãos da União Europeia com menores
taxas de participação em actividades culturais, segundo o relatório do
Eurobarómetro. São números que “não nos ficam bem”, diz o secretário de
Estado da Cultura. Falta de investimento, fraca aposta na educação e
baixo poder de compra explicam parte destes resultados dizem diversos
especialistas e responsáveis.
Vamos menos ao cinema, quase não vamos a bibliotecas públicas nem
visitamos museus. A espectáculos de teatro, dança ou ópera vamos muito
pouco; só a concertos, de vez em quando. Não temos grande interesse em
ler um livro, nem costumamos visitar monumentos. Mas vemos e ouvimos
muita televisão e rádio. O retrato não nos deixa ficar bem mas é assim
mesmo que, em traços largos, saímos representados no inquérito do
Eurobarómetro sobre a participação em actividades culturais na União
Europeia. Nele, Portugal surge ao fundo da tabela, ao lado de países
como a Roménia ou a Bulgária. O que significa que os portugueses - tal
como os romenos ou os búlgaros - quase não se envolveram no último ano
em actividades culturais. A crise económica explica parte dos números
mas diz-nos quem conhece o meio que o problema está muito para além
disso. Falta estimular o ensino cultural nas escolas. Falta os decisores
políticos, e a sociedade em geral, olharem para a cultura como um bem
essencial. E falta um maior investimento.
Estas são as principais
conclusões que se tiram depois de se ouvirem vários nomes reconhecidos
da área. Há quem se surpreenda com os números, quem já estivesse à
espera destes dados por estarem em linha com a tendência dos últimos
anos e quem questione a forma como o inquérito da Comissão Europeia foi
realizado. Mas há um adjectivo que todos repetem: “preocupante”.
Sermos
tão pouco activos culturalmente é preocupante e é preciso perceber o
que está a acontecer com a Cultura em Portugal. O que implica também
questionar o estado da Educação e do sistema de ensino, dizem. Afinal,
porque é que os portugueses são dos cidadãos da União Europeia com
menores taxas de participação em actividades culturais? Porque é que
Portugal, por exemplo, é o país onde há maior falta de interesse pela
leitura? E porque é que só 6% dos inquiridos, em Portugal, tem uma
actividade cultural frequente? A média europeia não é particularmente
alta mas as diferenças são grandes, como é o caso da Suécia (43%), da
Dinamarca (36%) e dos Países Baixos (34%), onde os cidadãos descrevem a
sua taxa de participação como elevada ou muito elevada. Na vizinha
Espanha esta taxa é de 19%. Qual é então o problema dos portugueses?
“É
uma questão de educação”, diz ao PÚBLICO Paulo Cunha e Silva,
programador cultural e novo vereador da Cultura da Câmara do Porto, que
acredita que em Portugal “não se cultiva a Cultura”. “'De pequenino se
torce o pepino.' Este ditado popular explica esta situação com eficácia,
é na infância que se devem começar a criar hábitos culturais e isso não
acontece”, defende Cunha e Silva, que deste Eurobarómetro se
surpreendeu mais com a fraca adesão às salas de cinema.
Os dados
do inquérito revelam que 71% dos cidadãos portugueses não foram uma
única vez ao cinema nos últimos 12 meses – uma diferença de quatro
pontos percentuais quando comparado com os dados de 2007 (ano do último
Eurobarómetro sobre a participação em actividades culturais). Segundo os
últimos resultados divulgados pelo Instituto do Cinema e Audiovisual
(ICA), de Janeiro até Outubro registaram-se menos 1,2 milhões de
espectadores nas salas de cinema portuguesas, o que representa uma
quebra de 10,6% em relação ao mesmo período de 2012. A queda já vem do
ano passado mas em 2013 tem vindo a acentuar-se.
“A não frequência
das salas de cinema com esta dimensão é preocupante e é um indicador
muito grave da crise social que estamos a atravessar, é que ir ao cinema
não é só ver filmes de autor”, diz o vereador da Câmara do Porto, que
vê no cinema uma das formas mais fáceis e populares de participar na
Cultura. “Na sua dimensão de diversão e animação, o cinema poderia até
funcionar como um escape para alguma tristeza ou depressão e por isso a
não frequência das salas traduz uma expressão muito profunda da crise”,
continua Cunha e Silva, considerando que é preciso parar para reflectir
de que forma “este momento de patologia social que estamos a atravessar
se está a reflectir nos hábitos das pessoas”.
Números que chocam Para
a professora catedrática da Faculdade de Letras do Porto e antiga
ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, é uma questão de escolha a
que a crise económica e social obriga. “Temos uma crise geral no
consumo, que provoca, evidentemente, uma quebra no consumo cultural, até
porque é neste que se corta habitualmente em primeiro lugar”, diz Pires
de Lima, explicando que “entre gastar dez euros no supermercado ou na
livraria, o cidadão comum não escolhe gastar cinco euros num lado e
cinco euros noutro, gasta tudo no supermercado”. O mesmo exemplo é dado
pelo escritor Vasco Graça Moura, que diz haver uma “opção óbvia” quando
se trata de escolher entre “alimentar um filho ou ir a um concerto”. “A
crise financeira obriga a prioridades rigorosas”, diz o presidente do
Centro Cultural de Belém (CCB), não escondendo, no entanto, que, até ver
os resultados do Eurobarómetro, pensava que “estávamos muito melhor”.
“De algum modo, estes números chocam-me”, continua Graça Moura, para
quem o problema da queda da leitura “está a tornar-se crónico em
Portugal”. "Temos de dar mais atenção ao Plano Nacional de Leitura. É
importante e pode ser uma ajuda."
Segundo os números do inquérito,
apenas 40% dos portugueses leram um livro no ano passado, uma taxa
significativamente mais baixa do que a média europeia, que é de 68%. Se
olharmos para os países nórdicos, a diferença então é esmagadora: na
Suécia 90% dos cidadãos leram um livro no ano passado e na Dinamarca a
taxa é de 82%. De resto, a actividade cultural mais comum na União
Europeia, e em Portugal, é assistir/ouvir programas na televisão/rádio
(72% pelo menos uma vez nos últimos 12 meses – em Portugal 61%).
No
que respeita à leitura de um livro, o relatório diz que os resultados
são “fortemente” influenciados pelo nível de escolaridade, assim como,
por exemplo, a idade se reflectiu como um factor determinante naqueles
que vêem mais televisão ou ouvem rádio.
“A ideia com que fico
depois de ver estes números é a de que ainda há muito a fazer, mas deixa
algum optimismo perceber que são os mais velhos que estão mais tempo
ligados à televisão e à rádio”, diz Fernando Pinto do Amaral, comissário
do Plano Nacional de Leitura, explicando que “os mais novos são mais
diversificados e dividem o tempo entre a leitura, o computador, o
cinema”. “Ainda há alguma razão para pensar que nos mais novos a leitura
ainda existe, enquanto nos mais velhos é mais complicado conseguir
mudar hábitos”, explica. “As pessoas estão muitas vezes em casa, com
poucos recursos financeiros, e a televisão é um meio muito fácil e
directo que entra pela casa dentro”, continua Pinto do Amaral, para quem
o cerne da questão é o “nível geral de educação do país e do interesse
pela Cultura”. Ou, como diz Vasco Graça Moura: “Em Portugal há uma certa
apatia por valores culturais”.
A deputada socialista e antiga
ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, responsabiliza o discurso
político actual que remete para segundo plano as actividades culturais.
“A falta de importância que é dada à Cultura hoje é terrível. O discurso
político que passa para os cidadãos é o de que não nos podemos
preocupar com a Cultura quando há gente a passar fome, e esta é a
mensagem que todos os dias se transmite para a opinião pública”, diz
Canavilhas, que não tem dúvidas de que um “cidadão vulgar facilmente
reproduz este discurso, quando há uns anos era do senso comum que a
Cultura era importante para o quotidiano dos portugueses”.
“É
preciso não deixar esmorecer o esforço que foi feito nestas últimas três
décadas e que conquistou muitos degraus nos hábitos de consumo
cultural, é que o que leva três décadas a ser construído, leva dois ou
três anos a ser destruído”, alerta a deputada socialista, que vê na
Educação a “chave para a mudança”. “Os indicadores da Cultura estão
sempre ligados aos indicadores da Educação. Os países onde os hábitos
culturais são mais consistentes são aqueles onde os níveis de Educação
são mais elevados”, continua Canavilhas, explicando que investir na
Educação é investir na Cultura. No entanto, a antiga ministra da Cultura
do Governo de José Sócrates lamenta que além do desinvestimento que a
Cultura enfrenta, também a educação esteja “num retrocesso sem
precedentes”.
Isabel Pires de Lima dá o exemplo, recorrendo aos
resultados deste inquérito, da frequência de bibliotecas públicas. Em
Portugal, apenas 15% dos cidadãos visitaram uma biblioteca no último
ano, registando-se uma quebra de nove pontos percentuais. Na Europa, a
média é de 31%, também se verificando uma queda comparativamente com
2007, neste caso de quatro pontos percentuais. “É gravíssimo que haja
uma quebra de nove pontos percentuais, tendo em conta o investimento
bárbaro que se fez na rede de bibliotecas públicas”, aponta Pires de
Lima, destacando que “no momento em que o país está quase coberto de
equipamentos culturais, não seria de esperar uma quebra tão acentuada”.
“Quando se investe barbaramente na Educação e não se percebe que
investir um bocado mais em Cultura potenciaria imenso esse investimento
em Educação, acontecem coisas como esta”, diz.
Para o presidente
do Centro Nacional da Cultura, Guilherme d’Oliveira Martins, não há
outra forma de conseguir reverter estes números que não seja a aposta no
sistema de ensino. “É preciso que os pedagogos compreendam, e muitas
vezes não compreendem bem, que a Educação artística está no princípio e
não fim”, diz Oliveira Martins, defendendo que “a Cultura não é uma flor
de botoeira, é algo que está no centro do desenvolvimento”.
Ao
PÚBLICO, o secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier,
reconhece que “estes números não nos ficam bem” e defende a necessidade
de se reforçarem as políticas educativas com as políticas culturais.
“Temos de ter em conta estes dados para reforçar a minha convicção de
que a dinâmica de colaboração entre a área da Cultura e a área da
Educação, desde o pré-escolar até ao ensino secundário, é absolutamente
essencial”, diz Barreto Xavier.
No Parlamento, a 7 de Novembro,
Barreto Xavier apresentou a Plataforma Educação-Cultura que pretende,
precisamente, ser o eixo de desenvolvimento de políticas estruturais
para as duas áreas. Será da responsabilidade desta Plataforma, por
exemplo, o Plano Nacional de Cinema, que pretende promover a literacia
para o cinema nas escolas, impulsionando a criação de novos públicos.
Apesar do atraso na sua implementação, não estando ainda a funcionar em
pleno, este foi um dos exemplos enumerados ao PÚBLICO pelo Ministério da
Educação e Ciência (MEC), que garantiu que “vai continuar a reforçar, a
incentivar e a apoiar programas de carácter cultural e sobretudo a
valorizar os conteúdos de temática cultural nos programas, metas e
orientações curriculares, manuais escolares e outros recursos
didáctico-pedagógicos”. Continuar-se-á também “a sensibilizar todos os
agentes educativos para a importância da presença da Cultura, nas suas
diversas formas”, acrescenta a resposta do ministério, onde se lê que
os baixos índices de participação cultural se devem à “falta de
escolarização e literacia das gerações seniores, que não foram
incentivadas nem educadas para isso”.
“A evolução do sistema
educativo português, dos índices de escolarização e de analfabetismo nos
últimos 30 anos permitem compreender os resultados”, lê-se ainda na
resposta, por email, do gabinete de comunicação do MEC, que
acredita que nos próximos anos, “com base no desenvolvimento dos
currículos em vigor no sistema educativo, poderemos vir a testemunhar
uma inversão desta tendência”.
Cultura invisível
No
entanto, o sociólogo Claudino Ferreira alerta que uma maior introdução
das artes ao ensino geral “não exige só que se ponham mais conteúdos”.
“É preciso que se pense como é que a relação com as artes nas escolas
pode ser motivadora para os estudantes se interessarem”, diz o professor
auxiliar da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e
investigador do Centro de Estudos Sociais, defendendo também uma maior
pró-actividade das estruturas culturais e artísticas. “Não há só muito a
fazer por parte das escolas e dos professores, é preciso que também as
instituições e os artistas apresentem propostas concretas para
contribuir para os estudantes”, continua o sociólogo, admitindo, porém,
que os tempos são de dificuldade para as estruturas. “A situação dos
últimos anos é dramática e, por isso, quando olho para a frente vejo uma
situação muito difícil para a Cultura”, explica Claudino Ferreira,
lembrando a constante reformulação de prioridades a que as instituições
culturais e os artistas têm vindo a ser obrigados. “E assim vão perdendo
alguma capacidade de intervenção pública e desse ponto de vista os
próximos anos não serão muito produtivos, não consigo ver uma
recuperação do interesse e do voluntarismo para a prática cultural.”
Para
Isabel Pires de Lima a dificuldade de que Claudino Ferreira fala existe
por “continuarmos presos a modelos de desenvolvimento que privilegiam
sobretudo aquilo que é imediatamente rentável e aquilo que decorre do
mundo do que é contabilizável”. “É a invisibilidade da Cultura que faz
com que seja tão difícil aos políticos, empresários e sociedade civil
investirem na área”, diz a catedrática, sem acreditar numa mudança no
futuro. O mesmo acontece, aliás, com Gabriela Canavilhas, que antevê uma
descida ainda maior destes valores nos próximos anos. “Vamos sofrer nas
estatísticas as consequências das políticas que têm estado em curso”,
afirma a deputada do PS.
Barreto Xavier não se atreve a antecipar o
futuro mas admite que há um problema de perspectiva e modelo. “É uma
questão de mudança de mentalidades e a mudança de mentalidades demora
eventualmente uma geração”, diz o secretário de Estado ao mesmo tempo
que de alguma forma desvaloriza os números deste inquérito por existirem
variáveis que não foram consideradas e pelo modo como algumas perguntas
foram feitas.
No mesmo sentido, Miguel Lobo Antunes,
administrador da Culturgest, em Lisboa, defende que os números deste
Eurobarómetro não são fiáveis nem podem apoiar reflexões sérias por se
afastarem, "por vezes largamente", de resultados de outras estatísticas
feitas em Portugal sobre o mesmo tema. Mas revela que tem sentido na
Culturgest uma redução de público. “Para que os portugueses sejam mais
cultos, é claro que a educação, os meios de comunicação, as políticas
culturais, têm uma importância fundamental mas também é importantíssimo o
papel desempenhado pelos teatros, pelos centros culturais, pelos
programadores, pelos artistas, pelos pais, pelos mais velhos, pelas
pessoas, que podem contagiar outras”, diz Lobo Antunes.
Catarina
Vaz Pinto, vereadora da Cultura da Câmara de Lisboa, vê com a
preocupação generalizada estes números mas destaca que eles não são
desagregados por cidades e/ou regiões, onde acredita que poderão existir
diferenças importantes. “Nomeadamente em virtude das características
sociodemográficas da população ou do investimento que algumas cidades
têm feito, como por exemplo Lisboa, para manter o nível da oferta e
participação cultural, da promoção da leitura e da valorização das
bibliotecas municipais”, atesta a responsável.
Guilherme
d’Oliveira Martins volta a destacar: “Ainda há muito trabalho a fazer”.
“Temos de tirar lições da crise porque esta crise diz-nos que se não
apostarmos na Educação, na Cultura e na Ciência, teremos naturalmente
grandes dificuldades.”
No que ao secretário de Estado da Cultura
diz respeito, fica o compromisso de “trabalhar mais e melhor na defesa
de um modelo de desenvolvimento que tenha a Cultura no seu centro”."
ão nascemos
racistas, tornamo-nos racistas. Esta verdade constitui a pedra angular
da Fondation Lilian Thuram – Éducation contre le racisme. Dado que o
racismo é uma construção intelectual e, sobretudo, política, temos de
ter consciência que a História nos condicionou, de geração em geração, a
considerarmo-nos sempre como negros, brancos, magrebinos ou asiáticos… É
importante que percebamos como é que os preconceitos foram criados para
que os possamos destruir. As nossas sociedades devem compreender,
porém, a simples ideia de que a cor da pele ou o sexo de uma pessoa não
definem a sua inteligência, a sua língua, a religião praticada, as
capacidades físicas, nem o que gosta ou detesta. Todos nós conseguimos
aprender o que quer que seja, tanto o pior como o melhor. Em Lisboa, no
quadro do Programa Gulbenkian Próximo Futuro, Lilian Thuram irá
apresentar a Fundação, bem como a sua Comissão Científica e as suas
principais atividades desde 2008 (ano da sua criação), participando
depois no debate com o público sobre as várias formas de racismo.
ão nascemos
racistas, tornamo-nos racistas. Esta verdade constitui a pedra angular
da Fondation Lilian Thuram – Éducation contre le racisme. Dado que o
racismo é uma construção intelectual e, sobretudo, política, temos de
ter consciência que a História nos condicionou, de geração em geração, a
considerarmo-nos sempre como negros, brancos, magrebinos ou asiáticos… É
importante que percebamos como é que os preconceitos foram criados para
que os possamos destruir. As nossas sociedades devem compreender,
porém, a simples ideia de que a cor da pele ou o sexo de uma pessoa não
definem a sua inteligência, a sua língua, a religião praticada, as
capacidades físicas, nem o que gosta ou detesta. Todos nós conseguimos
aprender o que quer que seja, tanto o pior como o melhor. Em Lisboa, no
quadro do Programa Gulbenkian Próximo Futuro, Lilian Thuram irá
apresentar a Fundação, bem como a sua Comissão Científica e as suas
principais atividades desde 2008 (ano da sua criação), participando
depois no debate com o público sobre as várias formas de racismo.
A Fundação Lilian Thuram: educação contra o racismo, apresentada por Lilian Thuram
Tradução simultânea e Transmissão online
15 Nov 2012 - 18:30 – 20:30
Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian
"A convite do Programa Gulbenkian Próximo Futuro, Lilian Thuram,
prestigiado futebolista francês já retirado dos relvados, irá apresentar
a sua Fundação, criada em 2008 para combater o racismo. Para além de
falar sobre as atividades desenvolvidas pela Fundação, Lilian Thuram
vai participar num debate com o público sobre as várias formas de
racismo. Dedicado agora a esta causa, Thuram foi campeão do mundo em
1998, campeão da Europa em 2000 e vice-campeão do mundo em 2006, para
além de muitos outros títulos conquistados ao longo da sua carreira".
ão nascemos
racistas, tornamo-nos racistas. Esta verdade constitui a pedra angular
da Fondation Lilian Thuram – Éducation contre le racisme. Dado que o
racismo é uma construção intelectual e, sobretudo, política, temos de
ter consciência que a História nos condicionou, de geração em geração, a
considerarmo-nos sempre como negros, brancos, magrebinos ou asiáticos… É
importante que percebamos como é que os preconceitos foram criados para
que os possamos destruir. As nossas sociedades devem compreender,
porém, a simples ideia de que a cor da pele ou o sexo de uma pessoa não
definem a sua inteligência, a sua língua, a religião praticada, as
capacidades físicas, nem o que gosta ou detesta. Todos nós conseguimos
aprender o que quer que seja, tanto o pior como o melhor. Em Lisboa, no
quadro do Programa Gulbenkian Próximo Futuro, Lilian Thuram irá
apresentar a Fundação, bem como a sua Comissão Científica e as suas
principais atividades desde 2008 (ano da sua criação), participando
depois no debate com o público sobre as várias formas de racismo.
Fundação Calouste Gulbenkian
Avenida de Berna 45 A - 1067-001 Lisboa
Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão
Rua Dr. Nicolau de Bettencourt
Transportes
Metro: São Sebastião, Praça de Espanha
Autocarros: 713, 716, 726, 742, 746, 756
BES, Arte e Finança
Praça Marquês de Pombal, 3
O espaço é de acesso livre e está aberto nos dias úteis das 9 horas às 19 horas.
"Usura é o título da próxima exposição que será inaugurada no dia 20 de Setembro no espaço BES Arte e Finança, em Lisboa.
Usura
é o título da próxima exposição de Paulo Nozolino, que será inaugurada
no dia 20 de Setembro no espaço BES Arte e Finança, em Lisboa. O nome
(inspirado no canto XLV do poeta Ezra Pound, litania crítica dos ganhos
provenientes dos juros), a sala escolhida (ligada a um banco) e a
profunda crise económico-financeira que hoje atinge Portugal e a Europa
podiam fazer antever uma mostra em tom amargo. Contudo, a intenção de Usura
é mais profunda e procurará apelar "à memória dentro da actualidade e à
compreensão da actualidade dentro da História". Os nove trípticos
escolhidos com o comissário Sérgio Mah abordam acontecimentos
fracturantes do século XX, num vasto comentário visual sobre "a infâmia"
de certos "desvios traumáticos da Humanidade no decurso da modernidade
capitalista" (Auschwitz, o declínio da Europa, o 11 de Setembro...).
Motivado por uma abordagem que procura relacionar (confrontar, justapor)
imagens, Nozolino recupera ainda conjuntos mais difíceis de situar no
tempo e no espaço, relativos ao desaparecimento do mundo rural, à
religião, à morte e à imigração. Para um fotógrafo que construiu obra
sobretudo a partir de imagens únicas, esta exposição é particularmente
relevante pelo facto de reunir pela primeira vez quase todos os seus
trípticos, que começaram a ganhar forma em 1999, com Untitled, Blodelsheim.
Este momento, marca, aliás, uma viragem na maneira como passa a encarar
a exposição do seu trabalho, mais interessada em potenciar a observação
relacional e estimular uma consciência crítica a partir de um movimento
dialéctico entre imagens".
in Jornal Público, suplemento Ipsilon (Quase) todos os trípticos de Nozolino 08.08.2012 - Sérgio B. Gomes
Porque um país sem cultura não tem futuro
Porque um país sem cinema não tem memória
Para todos os que se recusam a assistir passivamente ao seu extermínio,
vamos projectar, ao ar livre, mais de 100 anos de cinema português. Pela aprovação da nova lei do cinema!
Transportes
Metro: Cais do Sodré
Autocarros: 28/60/74/706/713/714/727/732/794
Eléctricos: 15, 18, 25, 28
Comboio: Cais do Sodré, Santos
Barco: Cais do Sodré
Exposição de João Pedro Vale cancelada por seguradora vai ser mostrada em Lisboa
in Jornal Público, 24.10.2011
"A Câmara Municipal de Lisboa (CML) decidiu acolher na Galeria da Boavista a exposição “P-Town” de João Pedro Vale por considerar que “a cultura deve estar também à frente do seu tempo” e abordar “questões importantes da sociedade”.
A exposição “P-Town”, concebida por João Pedro Vale, cujo cancelamento, por uma seguradora, em Agosto deste ano, gerou polémica, vai ser apresentada em Novembro na galeria da CML.
Para Francisco Motta Veiga, director municipal de Cultura da autarquia, é também importante que a cultura “ultrapasse preconceitos e ideias feitas, mesmo com a discordância de alguns”, disse à Lusa em resposta a perguntas enviadas por email.
O responsável indicou que a ideia da apresentação da exposição “P-Town” surgiu na sequência do cancelamento.
“A CML não poderia ficar indiferente a este acontecimento, em consonância com o trabalho atento que tem vindo a desenvolver no campo das artes visuais e o empenho em promover a criação artística em toda a diversidade das suas formas de expressão”, justificou ainda Francisco Motta Veiga.
“Pareceu-nos uma boa proposta para a renovada Galeria da Boavista que integra um novo pólo cultural na cidade, um prédio onde funcionam já residências artísticas, entregues por concurso público a quatro associações de Lisboa, que agora ganha a mais-valia de ter uma galeria aberta ao público”, acrescentou.
Sobre a polémica do cancelamento, Francisco Motta Veiga considera desnecessário voltar ao assunto:”Importa sim dar a conhecer mais esta criação de um artista já com um percurso relevante”.
“Naturalmente a obra de João Pedro Vale é bem conhecida da equipa de programação e já em ocasiões anteriores as suas obras foram mostradas nas galerias da CML. Sabemos que se trata de um artista cuja obra se reveste do maior interesse e pertinência. E que pode ser também polémica”, avaliou.
Sobre o conteúdo da exposição, Francisco Motta da Veiga considera que, havendo “sensibilidades diferentes, é expectável que alguns visitantes não gostem, mas a maioria verá a mostra na perspectiva abrangente com que nós também a encaramos”.
“Cada criação cultural é sempre um pretexto de reflexão, uma afirmação de perspectivas diferentes sobre o mundo e a vida e também por isso é tão importante a diversidade”, sustentou.
A exposição de João Pedro Vale vai ser inaugurada a 8 de Novembro próximo na Galeria da Boavista, em Lisboa, ficando patente até 8 de Janeiro de 2012."
Hospital Miguel Bombarda Pavilhão de Segurança, Enfermaria-Museu. Rua Dr. Almeida Amaral, 1 (mapa) Visitas: Quarta-feira entre a 11h30 e as 13h; Sábado, entre as 14h e as 18h. Entrada livre
"No dia 8 de Março, às 19h também no Instituto Franco-Português e no âmbito do colóquio sobre Annemarie Schwarzenbach, propomo-vos o documentário
Une Suisse Rebelle: Annemarie Schwarzenbach 1908-1942, de Carole Bonstein (Suiça,Alemanha, 2000, 58’).
Com base em arquivos inéditos e co-produzido pela TSR e ARTE, o filme de Carole Bonstein traça o percurso atípico e movimentado, desta escritora, jornalista e fotógrafa suiça, nacionalizada francesa. Figura incontornável, Annemarie Schwarzenbach encarna, hoje, um modelo de coragem, de lucidez e de revolta.
Broadway Boogie-Woogie. Une comm'on dit musicale. Spectacle différé en direct différemment directe le différé ment directement.
Os leitores : Alínea B. Issilva e Pedro Moreira. A encenação : Alvaro García de Zúñiga
O idioma : Francês. A duração: +/- 30'. Entrada livre
BAR DAS CIÊNCIAS
4 de Março, 19h00
Florence Janody
O Bar das Ciências de hoje será sobre a utilização dos microorganismos no tratamento de patologias humanas, numa conferência de de Florence Janody, investigadora principal do grupo ‘Dynamique de l’Actine’ Instituto Gulbenkian de Ciências. Entrada livre.
PARA OS MAIS PEQUENOS
6 de Março, 11h00
Hora do Conto
Vamos ouvir contos de “outras paragens”, na voz de Marie-Agnès T.
“Que milhares de crianças apanhem estas flores aqui plantadas para eles, por poetas, contadores, todos cantores do Amor e da Liberdade, da Fraternidade e da honra. E Quando forem crescidos, que se recordem! LéopoldSédarSenghor
Histórias da Martinica, do tempo das grandes plantações do século 18 …
Poemas dos Camarões, de Marrocos, do Mali … Um conto Massai …
Na Mediateca do Instituto Franco-Português, das 11h00 às 12h00
Para crianças dos 04 aos 09 anos. Entrada livre após marcação pelo 213 111 421
COLÓQUIO INTERNACIONAL
Dias 8 e 9 de Março, das 10h00 às 18h00
Annemarie Schwarzenbach: Pela Palavra e Pela Imagem
Intervenções de Emília Tavares, Alfred Optitz, Filipa Costa, Lurdes Godinho, António Vale, Anabela Mendes, Dominique Mermont, Nicole Le Bris, Sofie Decock/Uta Schaffers, Silvia Henke, Gonçalo Villas-Boas e Teresa Oliveira.
Uma colaboração: Instituto Franco-Português, Instituto de Literatura Comparada da Faculdade de Letras do Porto, Embaixada da Suiça em Lisboa e Goethe Institut Lissabon.
CINEMA
Dia 8 de Março, às 19h
No âmbito do colóquio internacional sobre Annemarie Schwarzenbach
Une Suisse Reblle: Annemarie Schwaerzenbach 1908-1942, de Carole Bonstein
Documentário, Suiça,Alemanha, 2000, 58’
Com base em arquivos inéditos e co-produzido pela TSR e ARTE, o filme de Carole Bonstein traça o percurso atípico e movimentado, desta escritora, jornalista e fotógrafa suiça, nacionalizada francesa.Figura incontornável, Annemarie Schwarzenbach encarna, hoje, um modelo de coragem, de lucidez e de revolta. Entrada livre."
Artigo do Jornal Público sobre a exposição (aqui).
"No âmbito da exposição “Auto-retratos do Mundo. Annemarie Scharzenbach (1908-1942)” que vai estar patente no Museu Berardo a partir de hoje e até dia 25 de Abril,realiza-se amanhã, dia 23 de Fevereiro, às 19h00 uma conferência de Alexis Schwarzenbach, intitulada Annemarie Schwarzenbach voir une femme. A conferência terá lugar na Mediateca do IFP, com entrada livre, e é uma organização do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa (Faculdade de Letras do Porto) e da Embaixada da Suiça em Portugal.
Annemarie Scharzenbach: escritora, jornalista, fotógrafa e viajante.
DIAS 8 e 9 de MARÇO de 2010
COLÓQUIO INTERNACIONAL
Annenmarie Schwarzenbach: pela Palavra e pela Imagem
Aproveitamos para vos anunciar também o Colóquio Internacional que se realizará no Instituto Franco-Português nos próximos dias 8 e 9 de Março, das 10h00 às 18h00, subordinado ao tema “Annenmarie Schwarzenbach: pela Palavra e pela Imagem”. Intervêm Emília Tavares, Alfred Optitz, Filipa Costa, Lurdes Godinho, António Vale, Anabela Mendes, Dominique Mermont, Nicole Le Bris, Sofie Decock/Uta Schaffers, Silvia Henke, Gonçalo Villas-Boas e Teresa Oliveira.
Uma colaboração: Instituto Franco-Português, Instituto de Literatura Comparada da Faculdade de Letras do Porto, Embaixada da Suiça em Lisboa e Goethe Institut Lissabon.
No dia 8 de Março, às 19h também no Instituto Franco-Português e no âmbito do colóquio sobre Annemarie Schwarzenbach, propomo-vos o documentário
Une Suisse Rebelle: Annemarie Schwarzenbach 1908-1942, de Carole Bonstein(Suiça,Alemanha, 2000, 58’).
Com base em arquivos inéditos e co-produzido pela TSR e ARTE, o filme de Carole Bonstein traça o percurso atípico e movimentado, desta escritora, jornalista e fotógrafa suiça, nacionalizada francesa. Figura incontornável, Annemarie Schwarzenbach encarna, hoje, um modelo de coragem, de lucidez e de revolta.
"O PÚBLICO vai ter um novo caderno chamado Cidades, aos domingos, cujo primeiro número será publicado em Dezembro. O Cidades tem uma secção fixa que tem por objectivo ajudar os cidadãos a encontrarem respostas das autoridades para os seus problemas.
Envie-nos um resumo do problema da sua rua, bairro ou cidade, e a pergunta que gostaria de fazer às autoridades responsáveis, presidente da câmara, vereador, departamento estatal, etc. Nós procuraremos a resposta.
Escreva para: queixascidades@publico.pt
O PÚBLICO fará uma selecção das perguntas recebidas para garantir variedade geográfica e temática. Por favor, inclua identificação, morada e um número de telefone ou endereço electrónico para o caso de ser necessário algum contacto adicional."
Cancelada abertura das galerias romanas na Rua da Prata 17.09.2009 -in Jornal Público Cláudia Bancaleiro
"A abertura das galerias romanas na Rua da Prata, em Lisboa, prevista para os próximos dias 25, 26 e 27, foi cancelada informou hoje o Departamento de Património Cultural, Divisão de Museus e Palácios.
Ao PÚBLICO, a chefe de divisão Departamento de Património Cultural, Ana Cristina Leite, explicou que devido a problemas no sistema eléctrico das galerias não estão reunidas as condições necessárias para abrir o espaço ao público. A responsável indicou que não existe ainda uma data prevista para a abertura das galerias, mas garantiu as visitas ao monumento ainda este ano. Uma nova data depende da conclusão das reparações do sistema eléctrico."
das 10 às 18h. "As galerias romanas da Rua da Prata, em Lisboa, vão abrir ao público nos dias 25, 26 e 27 de Setembro, naquela que será a única vez que estarão acessíveis a todos este ano.
Durante os três dias, as galerias estão abertas entre as 10h00 e as 18h00 e a entrada é gratuita. As visitas vão ser acompanhadas por técnicos do Museu da Cidade. A abertura das galerias surge no âmbito das comemorações das Jornadas Europeias do Património.
As galerias foram descobertas após o terramoto de 1755 em Lisboa e só em 1909 começaram a realizar-se visitas, mas apenas por motivos jornalísticos ou de investigação. A partir dos anos 80, a Câmara de Lisboa cria condições de acesso às galerias no subsolo da Rua da Prata.
Apenas uma vez por ano é permitido descer até às estruturas romanas, já que, como explica o Museu da Cidade de Lisboa, estas "encontram-se com um nível de água elevado cuja bombagem é um processo moroso e que levantaria problemas de conservação do próprio edifício e dos edifícios pombalinos anexos se retirada mais amiúde"."