Entrada Livre
27 de junho às 18:00, Sala dos Espelhos
Grupo Vocal Olisipo
(Elsa Cortez, Margarida Silva Mendes, sopranos; Maria Luísa Tavares, Catarina Saraiva, mezzosopranos; Carlos Monteiro, tenor; Hugo Oliveira, Armando Possante,baixos)
Armando Possante, direção
Grupo de Música Contemporânea de Lisboa
(José Sá Machado, violino; Ana Castanhito, harpa; Fátima Juvandes, percussão; João Pereira Coutinho, flauta; Jorge Sá Machado, violoncelo; Luís Gomes, clarinete baixo;Ricardo Mateus, viola; Cândido Fernandes, piano)
Christopher Bochmann, direção
Susana Moody, contraltoTaíssa Cunha, piano
Ivan Moody nasceu em Londres em 1964 e estudou música e teologia nas Universidades de Londres, Joensuu e York. Estudou composição com Brian Dennis, Sir John Tavener e William Brooks. As suas obras maiores incluem Passion and Resurrection (1992) e o Akáthistos Hymn (1998). Obras recentes significativas incluem Stabat Mater (2008), o quinteto com piano Nocturne of Light (2009) e Simeron (2013).
Susana Diniz Moody, natural de Lisboa, iniciou os estudos musicais aos quatro anos de idade, tendo ingressado no Conservatório de Lisboa aos dez anos, onde estudou violoncelo, canto e viola da gamba. É membro do Coro do Teatro Nacional de S. Carlos desde 1991, onde tem acuado também como solista. Tem também cantado e tocado viola da gamba com muitos grupos em Portugal e no estrangeiro.
Nascida em Lisboa, Taíssa Cunha iniciou os estudos musicais no Conservatório Nacional de Música em Lisboa, onde estudou com as professoras Sofia Vinogradova e Anne Kaasa. Estudou posteriormente com as professoras Miriam Gómez-Morán e Oxana Yablonskaya. Tem realizado numerosos recitais, tanto em Espanha como em Portugal. Participou com a Orquestra Sinfónica de Kiev no 3º Festival de Música “Dinastia” na Ucrânia, em 2014, ganhando um prémio Vox Populi.
O Grupo Vocal Olisipo nasceu em 1988 e é desde então dirigido por Armando Possante. Com repertório abrangendo obras do período medieval aos dias de hoje, tem colaborado com diversos compositores. Conquistou inúmeros primeiros prémios e já atuou em todo o país e no estrangeiro. Colabora com diversas orquestras e tem-se apresentado em concertos por toda a Europa e orientado workshops para coros e maestros de todo o mundo.
O Grupo de Música Contemporânea de Lisboa foi fundado em 1970 por Jorge Peixinho com colaboração de alguns músicos portugueses de renome. Ao longo dos seus mais de 40 anos de existência, o GMCL efetuou concertos em numerosos países apresentando-se em diversos festivais, divulgando a música contemporânea Portuguesa por todo mundo em concerto e através de gravação.
PROGRAMA
The Meeting in the Garden (1996)
Grupo Vocal Olisipo
Lacrime d’Ambra (2006)
Ana Castanhito, harpa, GMCL/Christopher Bochmann
Canciones de Amor (1985)
Susana Moody contralto, Taíssa Cunha, piano
INTERVALO
The Prophecy of Symeon (2001)
Grupo Vocal Olisipo
Dragonfly (2013: Estreia Mundial)
Luís Gomes, clarinete baixo, GMCL/Christopher Bochmann
Oltre la Spera (2014: Estreia Mundial)
Grupo Vocal Olispio, GCML/Christopher Bochmann
Traduções dos textos cantados
The Prophecy of Symeon
Megalynon psykhi mou tin timioteran ke endhoxoteran ton ano stratevmaton. (Magnifica, ó minha alma, aquele que é maior em honra que as altas hostes.) E Simeão os abençoou, e disse a Maria, mãe do menino: Eis que este é posto para queda e para levantamento de muitos em Israel, e para ser alvo de contradição. Megalynon psykhi mou... Sim, e uma espada traspassará a tua própria alma, para que se manifestem os pensamentos de muitos corações. Megalynon psykhi mou... Ora, Jesus, vendo ali sua mãe, e ao lado dela o discípulo a quem ele amava, disse a sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho. Então disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa. Megalynon psykhi mou... Uma espada traspassará a minha própria alma
Canciones de Amor
1. Só o teu coração quente,/E mais nada./O meu paraíso, um campo/Sem rouxinol/Nem lírios,/Com um rio discreto/E uma pequena fonte./Sem o esporão do vento/sobre a fronde,/Nem a estrela que quer/Ser folha./Uma enorme luz/Que fosse/Pirilampo/De outra,/Num campo de/Olhares rotos./Um repouso claro/E ali os nossos beijos,/Lunares sonoros/Do eco,/Abriram-se muito longe./E o teu coração quente,/Mais nada.
2. As ondas/rimam com o suspiro/e a estrela/com o grilo./Estremece-se na córnea/todo o céu frio,/e o ponto é uma síntese/do infinito./Mas quem une ondas/com suspiros/e estrelas/com grilos?/Esperar que os Génios/se descuidem./As chaves vão flutuando/entre nós mesmos.
3. Meu coração repousa junto à fonte fria./(Enche-a com os teus fios,/aranha do esquecimento.)/A água da fonte dizia-lhe sua canção./(Enche-a com os teus fios,/aranha do esquecimento.)/Meu coração desperto dizia seus amores./(Aranha do silêncio,/tece-lhe teu mistério.)/A água da fonte ouvia-o sombria./(Aranha do silêncio,/tece-lhe teu mistério.)/Meu coração derrama-se sobra a fonte fria./(Mãos brancas, distantes, detende as águas.)/E a água leva-o cantando de alegria./(Mãos brancas, distantes, nada resta nas águas!)
4. Ah, que trabalho me dá/amar-te como te amo!/Pelo teu amor o ar me dói,/o coração/e o chapéu./Quem me compraria/este laço que tenho/e esta tristeza de fio/branco, para fazer lenços?/Ah, que trabalho me dá/amar-te como te amo!
The Meeting in the Garden
Défte lávete phos ek tou anespérou photós ke dhoxásate Khristón ton anastáta ek nekrón. (Vinde, recebei a luz da luz sem ocaso e glorificai Cristo, que ressuscitou dos mortos.) Maria, porém, estava em pé, diante do sepulcro, a chorar. Enquanto chorava, abaixou-se a olhar para dentro do sepulcro, e viu dois anjos vestidos de branco sentados onde jazera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. E perguntaram-lhe eles: Mulher, por que choras? Respondeu-lhes: Porque tiraram o meu Senhor, e não sei onde o puseram. Défte lávete phos... Ao dizer isso, voltou-se para trás, e viu a Jesus ali em pé, mas não sabia que era Jesus. Perguntou-lhe Jesus: Mulher, por que choras? A quem procuras? Ela, julgando que fosse o jardineiro, respondeu-lhe: Senhor, se tu o levaste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei. Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, virando-se, disse-lhe: Raboni! – que quer dizer, Mestre. Défte lávete phos... Disse-lhe Jesus: Deixa de me tocar, porque ainda não subi ao Pai; mas vai a meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.
Oltre le spere
Além da esfera que gira mais amplamente passa o suspiro que sai do meu coração: nova inteligência, que o Amor, lamentando, lhe mete dentro, levando-o para cima. Quando está perto de onde deseja estar, vê uma dama, que recebe honra, e é uma luz, por cujo esplendor o espírito peregrino a pode ver. Vendo-a assim, quando mo conta, não entendo, tão subtilmente fala ao coração triste, que o faz falar. Sei que fala daquela doce dama, que evoca frequentemente Beatriz; agora entendo-o bem, minhas caras damas.