Panteão Nacional, às 16:30.
"A fadista Mísia, o ator Victor de Sousa e o grupo Alma de Coimbra participam no domingo numa homenagem à fadista Amália
Rodrigues, no Panteão Nacional, onde se encontra sepultada desde 2001, escreve a agência Lusa.
A
iniciativa é de
um grupo de admiradores da fadista
falecida em 1999, entre eles a sua última secretária, Leonilde
Henriques, e que se autointitula
«Os Amalianos».
«Pretendemos homenagear a maior voz de Portugal no mês do seu aniversário», disse à Lusa Leonilde
Henriques.
Segundo os registos
oficiais, Amália da Piedade Rebordão Rodrigues nasceu em Lisboa, no dia
23 de julho
de 1920. Nas diferentes entrevistas que
deu em vida, a fadista afirmava que tinha nascido «no tempo das
cerejas», nunca precisando
a data.
A homenagem, com entrada
livre está prevista para as 16h30, «abrirá com uma introdução feita pelo
ator Víctor
de Sousa». O grupo Alma de Coimbra, com
arranjos corais e instrumentais de Augusto Mesquita, interpretará temas
do repertório
da fadista como «O fado de cada um», «Fado
Amália», «Gaivota» ou «Fado português», e ainda temas de José Afonso
como «Menina
dos olhos tristes» ou, de Cesária Évora,
«Sôdade».
Augusto Mesquita foi o autor dos arranjos interpretados
pelo Coro
dos Antigos Orfeonistas de Coimbra, quando
da cerimónia de trasladação do corpo da fadista para o Panteão.
«O
Alma
de Coimbra apenas canta música portuguesa
ou da lusofonia, e reconhecemos o grande valor artístico de Amália, daí
termos escolhido
quatro temas seus quando publicamos o
nosso primeiro CD», disse Augusto Mesquita.
O coro será acompanhado por Inês
Mesquita ao piano, Luísa Mesquita, no contrabaixo, e Daniel Tapadinhas, no trompete.
A
fadista Mísia, que será acompanhada
por Luís Cunha (violino), Sandro Daniel
Costa (guitarra portuguesa), João Bengala (viola) e Pedro Santos
(acordeão), interpretará
temas do seu repertório como «O manto da
Rainha», um tema de sua autoria que canta no Fado Menor, e que é uma
homenagem à
diva.
Em declarações à Lusa, Mísia defendeu a contemporaneidade do legado de Amália Rodrigues que, «durante décadas,
esteve presente nas programações dos melhores palcos do mundo».
«Amália
nunca vai morrer, pelo contrário, ela torna-se
mais contemporânea através da sua obra e
da sua influência cultural e musical nas novas gerações», disse a
fadista.
«Eu
sinto - prosseguiu Mísia - que o mito
amaliano, foral e universal, tem de facto uma força que o tempo
reafirma».
Mísia,
que interpretará «Rapsódia Amália»,
afirmou que, «no ano da oficialização do fado como património imaterial
da humanidade»,
este «não tem melhor representante do que
Amália Rodrigues».
Referindo-se à cerimónia de domingo a fadista
afirma-se
«honrada» por participar, e refere-se a
ela como um «ritual de evocação», celebrado regularmente, «graças à
incomensurável
saudade e incansável empenho de Leonilde
Henriques».
A fadista Amália Rodrigues protagonizou uma das mais
internacionais
carreiras da música ligeira portuguesa,
tendo atuado nos mais diversos palcos, do Olympia, em Paris, ao Lincoln
Center e o
Holywood Bowl, nos Estados Unidos, onde
gravou o primeiro álbum.
A fadista e atriz atingiu recordes de
popularidade
em países como o Japão, México, Itália,
França, Roménia, Líbano, Brasil e Estados Unidos, onde atuou ao lado de
Marlene Dietrich,
Edith Piaf e Danny Kaye entre outros".
Transportes
Metro: Santa Apolónia
Autocarros: 28, 34, 210, 706, 712, 735, 759, 781, 782, 794
Comboio: Santa Apolónia